“Todos Pela Vida” atende moradores na praça Bom Jesus em Vila Operária

Roberto Barcelos- Especial para o Primeira Hora

Roberto Barcelos- Especial para o Primeira Hora

Evento foi realizado na praça Bom Jesus em Vila Operária (Foto: Roberto Barcelos)

“Todos Pela Vida” atende moradores na praça Bom Jesus em Vila Operária

Em Rondonópolis, foi realizado neste sábado (23) o Todos Pela Vida, na Praça Bom Jesus em Vila Operária, para atender pessoas interessadas em receber ajuda e orientações.

Durante todo o mês de setembro são realizadas diversas ações de conscientização como palestras, caminhadas, seminários e divulgação de informações sobre prevenção do suicídio. Isso pode reduzir o estigma em torno do tema e encorajar as pessoas a procurarem ajuda quando necessário, seja de amigos, familiares ou profissionais de saúde mental.

Em Rondonópolis, foi realizado neste sábado (23) o Todos Pela Vida, com atendimento na Praça Bom Jesus em Vila Operária, para atender pessoas interessadas em receber ajuda e orientações.

A iniciativa partiu do Rotary Club de Vila Operária em parceria com a Fundação Shalom, Rotaract e com apoio da Secretaria Municipal de Saúde e da Câmara Municipal.

A Fundação Shalom, ligada a Rádio Shalom FM, possui em seu quadro 15 psicólogos e disponibilizou quatro destes como voluntários para o evento e a Câmara Municipal cedeu o ônibus para um atendimento mais humanizado e reservado.

“O principal objetivo do projeto é salvar vidas, ” destaca o psicólogo Aluísio Lins Vitório, que é um dos coordenadores da Fundação.

 Para Vitório, um dos principais fatores de risco é o estresse, que gera situação de ansiedade e pode desenvolver uma depressão, quadro esse que é formado pelo cansaço da correria do dia a dia, pela falta de equilíbrio entre a vida, o trabalho e as necessidades humanas que todos têm. “Nós temos corpo, mente e alma, encontrar o equilíbrio entre essas três forças é necessário para uma vida saudável’, afirma.

Segundo ele, a tristeza e o isolamento são uns dos primeiros sinais de um quadro depressivo, além do descuido com a aparência física e higiene, ruptura de relacionamentos íntimos e o desapego das coisas materiais até de uso próprio são sinais de que a pessoa está desistindo. Observando esses sinais, a recomendação é se aproximar, ouvir, respeitar, não julgar e tentar ajudar para que ela saia dessa situação.

“ A família é fundamental e o remédio mais importante numa situação assim. Levando em consideração esses sinais e outros que possa observar, tem que agir sem cobrar, sem julgar e sem acusar, apenas ouvindo e se colocando à disposição para ajudar com muita paciência, até porque num primeiro momento, a pessoa fica resistente” aconselha.

Aluísio Lins Vitório(psicólogo), Aluísio Lins Vitório Segundo(pres.Rotary Vila Operária), Adriana Ferrari (idealizadora e rotariana) e Fabí Cristina Fonseca(Rotaract). (Foto: Roberto Barcelos)

O psicólogo explica que, na infância, a família dá toda atenção e cuidado para a criança e quando ela entra na adolescência vai havendo um certo distanciamento porque naturalmente vai procurando outros grupos. “É uma fase onde começa a praticar o que aprendeu para ser um adulto forte, e muitas vezes a família não entende quando o adolescente se afasta por uma necessidade de crescimento dele num processo natural de evolução e amadurecimento. Nessa fase, os pais, ao invés de taxá-los de rebeldes, têm que ter um comportamento mais de amigos que pais, entendendo, orientando e sempre muito próximos. ”

Aluísio também aponta o isolamento ao qual as pessoas estão se submetendo com o uso demasiado das facilidades tecnológicas causando uma revolução e transformação nas relações sociais. “Cada um fica no seu mundinho próprio e nossa sociedade precisa se corrigir. O ser humano é a maior criação de Deus e todos têm muito valor para Ele. Essas ferramentas vieram para nos ajudar, para facilitar e não para atrapalhar, mas o mau uso pode trazer doenças psicossomáticas que são construídas dentro do ser humano pelo abandono e o desamor. Estamos perdendo a capacidade de amar e de ser, e quando isso acontece a gente começa a morrer. ” Finaliza.

Adriana Aparecida Ferrari, membro do Rotary Vila operária e idealizadora do projeto, teve a ideia após ter recebido uma cartinha manuscrita em uma feira livre da cidade. Ao abrir a carta leu uma frase que a comoveu: ” Não te julgo, te ajudo”. Ao levar a ideia a reunião de seu clube, todos abraçaram a causa e começaram a trabalhar para a realização em parceria com a Fundação Shalom através de seu presidente pastor José Sobrinho.  

“ No mês passado perdemos um primo aos de 44 anos de idade. Ele era bem-sucedido, dinâmico, bem animado, que estava num segundo casamento, com um bebê pequeno e aparentemente sem quadro de depressão. Até agora não entendemos o motivo, é uma doença silenciosa que causa surpresas muito tristes”, relata Adriana.

Ela  diz ainda que esse é um projeto que vai continuar e ser aprimorado para alcançar um maior número de pessoas, inclusive contando com o apoio da Câmara Municipal que já se dispõe a ceder o ônibus para dar o suporte necessário através dos vereadores Cido Silva (PSC) , Jonas Rodrigues (SD)e do presidente Júnior Mendonça.

As pessoas em situação de vulnerabilidade emocional podem contar com o apoio da CVV, ligando para o número 188. O atendimento funciona 24 horas.

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