Reino Unido autoriza pesquisas científicas envolvendo embriões geneticamente modificados

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LONDRES, 1° de fevereiro (Reuters) – Cientistas do Reino Unido foram autorizados a modificar genes de embriões humanos para fins de pesquisa através de uma técnica que poderia, eventualmente, ser usada para criar ‘bebês modificados’.

Material genético humano é armazenado em um laboratório em Munique, Alemanha, em 23 de maio de 2011. REUTERS/Michael Dalder

Menos de um ano após cientistas chineses terem causado um furor internacional ao afirmarem que haviam modificado geneticamente embriões humanos, Kathy Niakan, cientista do Instituto Francis Crick em Londres, Inglaterra, recebeu uma licença para realizar experimentos semelhantes.

“O Human Fertilisation and Embryology Authority (HFEA) aprovou o pedido de pesquisa do Instituto Francis Crick para utilizar novas técnicas de ‘edição de genes’ em embriões humanos,” disse o laboratório de Niakan na segunda-feira.

O laboratório também afirmou que o trabalho será realizado “para fins de pesquisa e irá analisar os primeiros sete dias do desenvolvimento de um embrião fertilizado, de uma única célula para cerca de 250 células.”

Os cientistas não serão autorizados a desenvolver os embriões modificados para fins clínicos e também não podem implantá-los em mulheres.

Niakan planeja conduzir seus experimentos usando uma tecnologia chamada CRISPR-Cas9, que já é alvo de intensos debates internacionais devido ao medo de que a mesma possa ser usada para criar bebês “sob encomenda.”

A CRISPR permite que cientistas encontrem e modifiquem ou substituam defeitos genéticos. Muitos especialistas classificam esta tecnologia como “revolucionária.”

David King, diretor do grupo Human Genetics Alert, do Reino Unido, disse que os planos de Niakan levariam eventualmente a “um futuro com o consumo de eugenia.”

“Esta pesquisa permitirá que os cientistas aperfeiçoem técnicas para criar bebês geneticamente modificados,” disse ele em uma declaração.

Mas Sarah Norcross, diretora do Progress Educational Trust, que faz campanha por pesquisas éticas no campo da genética, afirmou que a decisão do HFEA foi “uma vitória para a regulação coerente sobre o pânico moral.”

Niakan diz que não tem nenhuma intenção de alterar embriões geneticamente para usá-los em tratamentos de reprodução humana, mas quer aprofundar o entendimento científico de como um embrião humano saudável se desenvolve, algo que poderia, a longo prazo, ajudar a melhorar tratamentos como a fertilização in vitro.

O trabalho será realizado usando embriões excedentes doados por pacientes que se submeteram a tratamentos de fertilização.

Em uma reunião com repórteres em Londres no mês passado, Niakan afirmou que o primeiro gene que pretende analisar é o chamado Oct4. Ela acredita que ele possa ter um papel crucial nos primeiros estágios do desenvolvimento fetal.

Bruce Whitelaw, professor de biotecnologia animal no Instituto Roslin da Universidade de Edinburgo, na Escócia, disse que a decisão do HFEA foi tomada “após uma avaliação robusta.”

“Este projeto, ao aumentar o nosso entendimento de como um embrião humano se desenvolve e cresce, irá acrescentar muito ao conhecimento científico básico necessário para definir estratégias de tratamento para casais inférteis e reduzir as chances de aborto espontâneo,” disse ele em um comentário por e-mail.

(Texto de Kate Kelland; Edição de Jeremy Gaunt).

Reuters
Por Kate Kelland
Correspondente de Saúde e Ciência