Os eventos realizados na casa de veraneio do banqueiro Daniel Vorcaro, em Trancoso, na Bahia, eram realizadas com um rigoroso controle de acesso, como a proibição do uso de celulares pelos participantes e a instalação de detectores de metais.
Em contrapartida, o dono do Banco Master mantinha um circuito interno de câmeras que registrava imagens de todos os cômodos da residência, que dizia ser para fins de segurança pessoal.

Vídeos estão sob custódia do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, com supervisão do STF – Divulgação/Bebahia
Esses vídeos, segundo informações, estão atualmente sob custódia do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, com supervisão do STF (Supremo Tribunal Federal).
Há indícios de que as imagens captadas nessas festas podem envolver figuras de alta relevância do Poder Judiciário, descritas como “pica das galáxias” por um dos executivos da REAG DTVM, empresa que administrava fundos e que foi liquidada pelo Banco Central nesta semana.
Investigação
As informações estão listadas em documento apresentado pelo Ministério Público ao TCU (Tribunal de Contas da União) pedindo que a corte identifique as autoridades públicas federais, inclusive procuradores e magistrados, que participaram de eventos promovidos na casa de Vorcaro.
Os eventos na Bahia, denominados “Cine Trancoso”, teriam contado com a presença de autoridades dos Três Poderes da República, como integrantes do Poder Executivo do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de representantes do mercado financeiro, da política e do meio jurídico.
Para o procurador do Ministério Público junto ao TCU Lucas Furtado, a situação levanta preocupações sobre possíveis irregularidades e impactos na administração pública, especialmente se considerados eventuais envolvimentos de autoridades federais.
“Não se sabe ao certo a extensão dos fatos nem a magnitude das possíveis irregularidades que podem estar associadas aos eventos realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Há indícios de que autoridades federais de alta cúpula possam estar envolvidas, o que reforça a necessidade de uma apuração rigorosa e transparente”, afirma Lucas Furtado.





