O Palmeiras foi condenado pela Justiça a indenizar um casal de torcedores após um episódio de agressões físicas e verbais ocorrido no Allianz Parque, durante a final do Campeonato Paulista do ano passado contra o Corinthians. A informação foi divulgada pelo site da ESPN.
O empresário rondonopolitano Thiago Sperança, conhecido como Thiago Tropical, e sua companheira Soraya estavam de férias em São Paulo e decidiram assistir à final do Paulistão, já que Soraya é palmeirense e tinha o sonho de ver uma partida do time no estádio. Thiago, no entanto, é torcedor do Flamengo e usava uma camiseta preta — cor que parte da torcida alviverde associa ao Corinthians.
Segundo o relato apresentado à Justiça, o casal passou a sofrer hostilidades ainda durante o jogo. Thiago foi alvo de xingamentos e ameaças, enquanto Soraya pediu para deixarem o estádio no intervalo, temendo pela segurança. “Thiago, vamos embora, estão falando que vão matar a gente aqui”, disse ela, conforme consta no processo.
Ainda de acordo com o casal, um torcedor do Palmeiras abordou Thiago de forma agressiva e o obrigou a comprar e vestir uma camisa do clube. Caso contrário, seria expulso do estádio. “Ou compra o manto, ou uma camisa verde, ou vai embora daqui”, teria gritado o agressor.
O episódio ganhou repercussão nacional após ser registrado pela Cazé TV, em um vídeo que ultrapassou 9 milhões de visualizações. Nas imagens, Thiago chegou a ser chamado de “infiltrado”. O casal deixou o estádio sob xingamentos, arremessos de objetos e ameaças de morte. Em meio à confusão, um torcedor teria dado um tapa na cabeça de Thiago e roubado seu boné.
Após o ocorrido, o casal ainda foi levado para prestar esclarecimentos à polícia dentro do próprio estádio. “Passamos mais de uma hora sendo interrogados, como se fôssemos culpados pelo ocorrido, o que aumentou ainda mais a humilhação”, relataram.
Na ação judicial, os advogados do casal afirmaram que houve omissão e negligência da segurança do estádio, que teria presenciado as agressões sem adotar medidas para proteger os torcedores. A defesa do Palmeiras alegou ilegitimidade passiva, negou a existência de dano moral e sustentou que a cor preta é comumente associada ao Corinthians entre torcedores alviverdes.
A Justiça do Mato Grosso, no entanto, rejeitou os argumentos do clube. Na decisão, o tribunal destacou que a responsabilidade do clube é objetiva, conforme a Lei Geral do Esporte, e que o detentor do mando de campo é responsável pela segurança dos torcedores. O Estatuto do Torcedor também foi citado, reforçando que entidades organizadoras e mandantes respondem solidariamente por falhas na segurança.
“O torcedor tem direito à proteção antes, durante e após a realização da partida”, afirmou a decisão, ressaltando que não houve ação eficaz para conter as agressões, que chegaram a ser transmitidas por um programa esportivo.
Com isso, o Palmeiras foi condenado a pagar R$ 10 mil de indenização para cada um dos torcedores, totalizando R$ 20 mil ao casal prejudicado.





