Oposição nomeia Eduardo como líder da minoria para deputado manter mandato dos EUA

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Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Oposição nomeia Eduardo como líder da minoria para deputado manter mandato dos EUA

Grupo usará resolução da Mesa Diretora da Câmara de 2015 para evitar contagem de faltas do deputado

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A oposição nomeou nesta terça-feira (16) o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como líder da minoria na Câmara dos Deputados. A ação é uma estratégia para evitar que o parlamentar perca o mandato por faltas, pois ele está morando nos EUA desde o fim de fevereiro buscando sanções a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

O grupo está usando como base uma resolução da Mesa Diretora da Câmara de março de 2015, que prevê que membros da Mesa e líderes de partido terão as ausências justificadas de forma automática.

Anteriormente, a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) era a líder da minoria. Agora, ela será a vice-líder e atuará de forma presencial na ausência de Eduardo.

Segundo o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi comunicado sobre a ação, mas não deve dizer se concorda ou não, visto que a medida é uma previsão da Mesa Diretora.

A resolução, no entanto, não especifica se o líder precisa estar no Brasil ou quais poderiam ser os motivos da ausência. Somente a Mesa Diretora pode mudar a resolução.

A resolução foi apresentada pela então deputada federal Mara Gabrilli, hoje senadora, em 2015.

“Analisada a questão, a Mesa Diretora, por unanimidade, resolveu rever o entendimento de Mesas anteriores, considerando justificadas as ausências de registro no painel eletrônico, nas Sessões deliberativas da Casa, somente dos Senhores membros da Mesa Diretora e dos Líderes de Partido”, diz trecho da resolução.

Eduardo está nos EUA

Inicialmente, Eduardo pediu licença por 120 dias, prazo máximo de afastamento permitido — essa licença terminou em julho. Ele foi aos Estados Unidos alegando que iria “buscar as devidas sanções aos violadores de direitos humanos”.

O pedido foi feito uma semana antes de o STF tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado. Na semana passada, o ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.

A ação de Eduardo nos EUA já resultou na aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do processo do golpe. A lei é uma espécie de “morte financeira”, sendo aplicada, na maioria das vezes, contra corruptos e violadores de direitos humanos.

O deputado também seria um dos responsáveis pela aplicação da tarifa de 50% a produtos brasileiros exportados aos EUA. Isso porque o presidente dos EUA, Donald Trump, ao anunciar a taxação, citou como um dos motivos o processo pelo qual Bolsonaro foi condenado.

Em agosto, a Polícia Federal indiciou o deputado e o ex-presidente por coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito.

Segundo a corporação, Eduardo estaria tentando interferir na Justiça brasileiro em prol do pai.

A Polícia Federal destacou que o deputado “vem atuando, ao longo dos últimos meses, junto a autoridades governamentais dos Estados Unidos da América, com intuito de obter a imposição de sanções contra agentes públicos do Estado brasileiro”.

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