Diante da realidade que nos é apresentada diariamente, surgem dúvidas que nos levam a questionar: estaríamos em uma realidade paralela no Brasil, ou o restante do planeta que se encontra em um “mundo invertido” digno da série “Stranger Things”?
A medida que a pandemia avança e começamos a analisar a possibilidade de utilizar um computador atômico para contabilizar o número de mortos, o resto do mundo vai vendo o número de internações e mortes despencarem por conta da aplicação das vacinas, juntamente com a implementação das medidas de isolamento e políticas sociais. Se a nossa tragédia não tivesse a ignorância como o cerne, não existiria “kit covid”, mas como ele existe, o chamarei de “kit mentira”.
Com dados que parecem criados a partir de um gerador aleatório de notícias falsas, a rede de mentiras da direita bolsonarista na internet vai convencendo os cidadãos a se entupirem de vermífugo e antimalárico, ao invés de cobrarem do governo a aquisição de vacinas e medidas que os mantenham na segurança de seus lares, sem o risco de morrer de fome ou ter que se expor ao vírus para tentar garantir a sua sobrevivência. A partir do uso descontrolado desses medicamentos, aqueles que não morrerem em decorrência da covid, acabarão desenvolvendo uma hepatite medicamentosa, pois estão convencidos de que há tratamento precoce para uma doença que mata mais de 3 mil pessoas diariamente no país.
Nem mesmo diante do genocídio imposto no Brasil, existe a garantia de que as pessoas que acreditam no “kit-mentira”, serão convencidas do contrário. Soma-se isso ao fato de que os EUA sozinhos, garantiram a compra de todas as doses de vacinas disponíveis para o ano de 2021, que serão produzidas pela Pfizer e pela BioNtech, e doaram mais de 2 milhões de doses de cloroquina para o Brasil, suspendendo seu uso no país logo após essa doação. Enquanto eles se vacinam, nossa população vai sendo vítima de um experimento “mengeliano”.
Quem acompanha os estudos astronômicos que teorizam sobre a existência de universos alternativos através dos buracos de minhoca, nunca imaginou que a resposta para essas teorias que contrariam as leis da física, estariam diante dos nossos olhos. O bolsonarismo conseguiu criar um universo alternativo por meio de um delírio coletivo, ao conseguir unificar a necropolitica e o fundamentalismo religioso, através da disseminação de notícias falsas. Quem se chocou com os efeitos políticos do chamado “kit-gay” e da “mamadeira de piroca” na atmosfera eleitoral de 2018, nem se deu conta de que esses elementos representavam a criação dessa realidade paralela, em outras palavras o “Big Bang” do “mundo invertido” bolsonarista.
Enquanto cientistas como Neil deGrasse Tyson e Carl Sagan passaram anos estudando o cosmos e nos apresentando de maneira ímpar as belezas do universo, o seu “Cláudio” tem “informações exclusivas” e “certezas absolutas” que chegam até ele através do “zap”. É com essas “informações” que ele vai alimentar sua rede de conhecidos e propagar um conjunto de mentiras, formando a “sopa primordial” que dá vida ao indivíduo desse delírio distópico.
Ao fim de tudo nos resta lutar e torcer, para que como nos filmes, possamos retornar ao universo de antes do desastre. Onde ivermectina mata piolho, cloroquina trata malária, vacinas salvam vidas e o presidente não é um imbecil.





