O mercado financeiro brasileiro recebeu com otimismo a decisão judicial que manteve o processo de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O juiz Júlio Roberto dos Reis, da 25ª Vara Cível de Brasília, negou o pedido de suspensão liminar da transação, avaliada em cerca de R$ 3,5 bilhões, permitindo que a operação continue seu curso normal.
A ação popular movida pelo presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Eduardo Araújo de Souza, questionava aspectos da negociação. No entanto, o magistrado considerou que, embora os fundamentos apresentados fossem relevantes, não estavam “amparados em prova robusta e idônea” para justificar a suspensão do negócio.
O BRB anunciou em março deste ano a aprovação unânime por seu Conselho de Administração para adquirir 49% das ações ordinárias, 100% das ações preferenciais e 58% do capital total do Banco Master. A transação ainda aguarda aprovação final do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
“Este movimento vai fortalecer a nossa governança e dar ao BRB acesso a recursos especializados de tecnologia, inovação e de atuação nos setores de mercados de capitais, câmbio, middle e corporate e de cartão de crédito consignado”, afirmou Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, em comunicado oficial.
CONGLOMERADO DE PESO
A união das duas instituições criará um grupo com aproximadamente 15 milhões de clientes, R$112 bilhões em ativos, R$72 bilhões em carteira de crédito e mais de R$100 bilhões em captações, posicionando-se como um player de peso médio com relevância nacional no setor financeiro.
Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, tem sido o principal arquiteto da transformação da instituição nos últimos anos. Desde que assumiu a presidência em 2018, implementou uma estratégia agressiva de crescimento e diversificação que resultou em números impressionantes: lucro líquido de R$1,068 bilhão em 2024, representando um crescimento de 100% em relação ao ano anterior.
O patrimônio líquido do Banco Master expandiu para R$4,74 bilhões, enquanto os ativos totais alcançaram R$63 bilhões, um aumento de 75%. Em janeiro de 2025, foi anunciado um aumento de capital de R$3,5 bilhões na instituição financeira, elevando ainda mais sua capacidade operacional.
AQUISIÇÕES ESTRATÉGICAS
A gestão de Vorcaro à frente do Banco Master tem sido marcada por aquisições estratégicas que complementam seu modelo de negócios. Em fevereiro de 2024, a instituição anunciou a compra do Will Bank, banco digital com mais de 6 milhões de clientes, concentrados principalmente no Nordeste.
A operação ampliou significativamente a presença do Master no varejo bancário, especialmente nas classes C e D. Paralelamente, o banco também concretizou a aquisição do Banco Voiter (antigo Indusval), fortalecendo sua posição no agronegócio e consolidando sua plataforma no segmento de atacado.
Essas aquisições são parte de uma reestruturação societária mais ampla, com a criação da holding Master SA para controlar separadamente as verticais de varejo, investimentos e aquisições.
IMPACTO NO MERCADO
Para analistas do setor, a decisão judicial favorável à continuidade da aquisição pelo BRB representa um movimento importante no processo de consolidação do mercado financeiro brasileiro.
“O surgimento de instituições de médio porte com escala suficiente para competir em múltiplos segmentos é fundamental para aumentar a concorrência no setor bancário brasileiro, historicamente concentrado em poucos players”, explica Roberto Campos, economista especializado em mercado financeiro.
A combinação do BRB, com sua solidez e presença regional, e do Banco Master, com seu dinamismo e capacidade de inovação, promete criar uma instituição com potencial para ampliar a competitividade no setor.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já se manifestou sobre o caso, afirmando que a instituição “não julga, em qualquer processo de fusão e aquisição, a conveniência da venda ou da compra”. Segundo ele, cabe ao BC avaliar a viabilidade econômica das partes envolvidas na transação.
PRÓXIMOS PASSOS
Com a decisão judicial favorável à continuidade da operação, o processo de aquisição seguiráseu curso normal, aguardando as aprovações finais do Banco Central e do Cade. As análises dessas instituições se concentrarão em aspectos técnicos e econômicos da transação, avaliando sua viabilidade e impacto no mercado.
Segundo comunicados oficiais, as empresas manterão suas estruturas separadas, com compartilhamento de “governança, expertise, sinergias e coordenação estratégica e operacional”. Essa abordagem visa preservar as características específicas de cada operação, ao mesmo tempo em que potencializa os ganhos de escala e eficiência.
Para clientes de ambas as instituições, a expectativa é de ampliação no portfólio de produtos e serviços, resultado das sinergias entre as operações do BRB e do Banco Master. O novo conglomerado promete fortalecer sua atuação conjunta no mercado, oferecendo uma gama completa de soluções financeiras para pessoas físicas e jurídicas.





