Forças Armadas investem em novas soluções para vencer o coronavírus

Militares da Marinha começam a produzir, junto à Universidade de São Paulo, ventiladores pulmonares

Foto: Cecília Bastos/USP

Militares pesquisadores e cientistas das Forças Armadas Brasileiras estão empenhados na busca de soluções que possam contribuir para enfrentar o novo coronavírus.

A Marinha do Brasil e a Universidade de São Paulo (USP)  preparam-se para iniciar produção em escala do ventilador pulmonar emergencial, batizado com o nome ‘Inspire’. A estimativa inicial é que sejam produzidos de 25 a 50 ventiladores pulmonares por dia. Essa capacidade poderá ser ampliada caso haja necessidade.

O aparelho foi desenvolvido por equipe de pesquisadores da Escola Politécnica (Poli). De baixo custo, o equipamento pode ser produzido em até duas horas, com tecnologia nacional. Até o momento, a primeira fase do projeto foi concluída com êxito. Foram fabricados dez protótipos e desenvolvido o modelo que consolidou o primeiro dos respiradores, denominado “Cabeça de Série”.




A USP, com o apoio da Marinha, está empenhada na aquisição dos últimos componentes críticos e insumos, e em submeter o equipamento a testes e avaliações das autoridades competentes. Assim que for obtida sua homologação, o novo equipamento será produzido em escala e disponibilizado para uso emergencial.

Protetor biológico

Em todo o Brasil, dia após dia, aparecem os frutos obtidos pelos profissionais militares na área de pesquisa, para ajudar no enfrentamento à pandemia. A Equipe de Resposta Nuclear, Biológica, Química e Radiológica do 2° Batalhão de Operações Ribeirinhas (2°BtlOpRib), de Belém (PA), acabou de desenvolver protetor biológico tóraco-facial para evitar o contágio de equipes de saúde que lidam com casos do novo coronavírus.

O equipamento une baixo custo e fácil montagem e foi projetado com especialistas do Hospital Naval de Belém (HNBe). O protetor atende às necessidades de uso, tanto em ambulâncias quanto em camas hospitalares, graças à sua estrutura compacta.

O novo protetor, apesar de não possuir certificação normativa específica, foi testado e modificado para atender às recomendações sugeridas pelo HNBe. A avaliação é que, com o seu uso, combinado com as demais medidas de proteção adotadas pelas equipes de saúde, proporcione eficácia de cerca de 80% na proteção.

Segundo o criador do protótipo, o Tenente Hélio Augusto Corrêa , o melhor de tudo é que os protetores são feitos com materiais facilmente encontrados no mercado e que exigem pouco investimento, como canos de tubulação e plásticos. “A intenção é agilizar a produção e disponibilizar o material, em um primeiro momento, para uso nas ambulâncias da Marinha e, depois, para as demais Forças Armadas e Forças Auxiliares”, informou.

Impressoras 3D

Em outra iniciativa, mas também visando a proteção individual daqueles que estão na linha de frente no combate à Covid-19, o Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais (CTecCFN) criou protótipos de máscaras faciais rígidas do tipo ‘face shield’.

Em campanha desenvolvida junto ao SOS 3D Covid-19, profissionais civis cederam o projeto inicial da máscara, que foi aprimorado pelo centro tecnológico. A parceria, feita logo no início da pandemia, possibilitou a troca de experiências relacionadas ao protetor facial e gerou 730 máscaras produzidas com impressoras 3D.

A máscara-escudo ou ‘face shield’ surgiu na República Tcheca, em meio à pandemia e, em pouco tempo, chegou ao Brasil. É composta por três peças: uma placa transparente de acetato (viseira); uma tiara impressa em 3D e um elástico que ajusta o equipamento ao rosto do profissional.

O Centro da Marinha também produziu outras 1.220 máscaras de proteção, por meio da técnica de dobradura. A produção diária é de cerca de 100 unidades. Ainda referente a EPI, o centro tecnológico atuou na produção em grande escala de máscaras faciais descartáveis em TNT. Já foram confeccionadas 119.850 delas, chegando a bater o número de 4,5 mil máscaras produzidas por dia.

Muitos produtos estão ainda em fase de desenvolvimento pelo CTecCFN. Entre eles, há dois capacetes de pressão positiva, um para ser usado pelos profissionais de saúde em ambientes contaminados e outro pelos pacientes acometidos pela COVID-19 que não necessitam ser entubados.

Um modelo de máscara operativa, tipo balaclava, é desenvolvido para o uso da tropa. A previsão é que a produção desse modelo seja terceirizada, com estimativa de confecção de 10 mil unidades. Essa máscara também é conhecida como touca ninja, uma vez que deixa só os olhos visíveis e o resto da cabeça encoberta.

Com informações do Ministério da Defesa