Fim da escala 6×1 elevaria custo médio do trabalho em 7,84%, diz estudo

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CNI/Miguel Ângelo

Fim da escala 6×1 elevaria custo médio do trabalho em 7,84%, diz estudo

Indústria e comércio teriam impacto reduzido, enquanto vigilância e limpeza seriam mais afetados, segundo estudo do Ipea

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O fim da escala 6×1, com a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, elevaria o custo médio do trabalho com carteira assinada em 7,84%, segundo estudo divulgado nesta terça-feira (10) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Apesar disso, o impacto nos custos totais das empresas seria semelhante ao observado em reajustes históricos do salário mínimo, o que indica capacidade de absorção da medida pela maior parte do mercado de trabalho.

A conclusão consta de uma nota técnica que analisa os efeitos econômicos de uma eventual mudança na jornada predominante no país.

De acordo com o Ipea, considerando grandes setores como indústria e comércio — que concentram mais de 13 milhões de trabalhadores — o impacto direto da redução para 40 horas semanais seria inferior a 1% do custo operacional.

Segundo os autores do estudo, ao reduzir o número de horas semanais, o valor da hora de trabalho aumenta na mesma proporção do salário-hora, calculado pela divisão do salário semanal pelo total de horas trabalhadas.

“A limitação da carga horária do trabalhador é entendida como um aumento do custo da hora de trabalho. Os empresários podem reagir de diversas formas a esse aumento, reduzir a produção é uma delas, mas eles podem também buscar aumentos na produtividade ou contratar mais trabalhadores para suprir a carga horária que cada um dos empregados anteriores deixou de disponibilizar”, explica o técnico de planejamento e pesquisa na Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Felipe Pateo.

Embora o custo médio do trabalho aumente 7,84% com a jornada de 40 horas, a ponderação desse efeito pelo peso da mão de obra no custo total de cada setor indica impactos reduzidos. Nos segmentos com forte geração de empregos, como indústria e comércio, o efeito estimado permanece abaixo de 1% do custo operacional total.

Empresas de serviços intensivos em mão de obra tendem a ser mais diretamente afetadas. O maior impacto estimado é de 6,6% no custo operacional do setor de vigilância, segurança e investigação. Serviços de limpeza e conservação também aparecem entre os segmentos com maior sensibilidade à mudança.

Ainda assim, os autores destacam que o aumento do custo do trabalho não implica, necessariamente, redução da produção ou aumento do desemprego.

O estudo compara a situação com choques anteriores no mercado de trabalho, como os aumentos reais do salário mínimo nas últimas décadas. Reajustes de 12% em 2001, 7,6% em 2012 e 5,6% em 2024 não resultaram em efeitos negativos sobre o nível de emprego, segundo os autores.

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