Famílias pioneiras em Cuiabá são inventariadas por Comissão Estadual

Famílias pioneiras em Cuiabá são inventariadas por Comissão Estadual - Foto por: Christiano Antonucci e Mayke Toscano/Gcom-MT

“Uma paraguaia muito querida em Cuiabá”. Foi assim que, Avelino Tavares, de 93 anos, um dos quatro filhos de Maria Montiel definiu sua mãe. Todo este carinho tinha uma razão especial. Maria foi uma das primeiras parteiras da capital mato-grossense.

Devido a idade avançada Avelino não se recorda a data exata em que Maria, por quem ainda chama carinhosamente de “mamãe”, deixou o Paraguai para morar na cidade verde, juntamente com seu marido, o tenente do Exército, Francisco Antônio Tavares.

Porém lembrou que era possível contar nos dedos o número de parteiras que existia em Cuiabá naquela época. “Mamãe sempre foi predisposta a servir. Ela desenvolveu o serviço de parturiente tornando-se conhecida e celebre em Cuiabá, que contava com poucas parteiras”, disse orgulhoso Avelino.

Com a habilidade e o carinho ao próximo, Maria realizou diversos partos, entre eles dos sete filhos de Avelino e de famílias importantes existentes na região. “Não temos os dados completos do que ela fez, porque era muito variado e diversificado, mas membros da família Campos e os filhos do doutor Canavarros foram aparados por mamãe”, destacou Tavares.

Os partos eram feitos no peito e na raça, segundo Avelino. “O esforço pessoal prevalecia muito naquele momento, porque não haviam aparatos especiais para os partos naquele tempo. Mamãe era avisada com antecedência e chamada para atender a gestante no dia tão esperado.”

A família Montiel é uma das 600 famílias pioneiras  já inventariadas no projeto “Famílias Pioneiras – Cuiabá 300 Anos”, que tem o objetivo de catalogar as famílias que migraram e contribuíram para a formação e desenvolvimento de Cuiabá, desde 1.700 até 1.977, ano em que ocorreu a divisão do Estado.

Para Tavares, o tratamento carinhoso que Maria recebia da população foi o mais importante na trajetória de vida de sua mãe. “Fico sensibilizado com a homenagem. Esta lembrança foi agradabilíssima, porque mamãe fez por merecer. Ela era muito caridosa e dedicada ao próximo.”

Ainda no grupo já inventariado estão as famílias Hugueney, Figueiredo, Avelino de Siqueira Tavares, Pinheiro, Carrion Carracedo, Capilé, Nogueira, Persona, Madureira, Bussiki, Baracat, Dutra e Ferreira. O projeto é coordenado pelo Núcleo de Ações Voluntárias (Nav), por meio da Comissão Estadual Cuiabá 300 anos.

A coordenadora geral do Nav e da comissão, Cely Almeida, disse que as famílias foram inventariadas por meio do site oficial do projeto (www.familiaspioneiras.mt.gov.br) e que o cadastramento continua até o final deste mês.

“As famílias precisam se inventariar por meio do site, que é o vínculo com o arquivo público. No cadastramento das informações, as pessoas devem anexar pelo menos dois documentos que comprovem que a família chegou em Cuiabá no período pesquisado.”

De acordo com a coordenadora da pesquisa, Neila Barreto, outra fonte para chegar até as famílias são publicações de historiadores que narram a genealogia dos pioneiros cuiabanos. “O mapeamento foi dividido nos períodos colonial, monárquico e republicano, tomando como base a família-tronco, conhecida também como chegantes”, explicou.

Segundo Cely, o resultado final da pesquisa será transformado em livros, além de subsidiar a comenda “Tricentenário de Cuiabá – Famílias Pioneiras”, autorizada pelo Assembleia Legislativa mês passado.

“A pesquisa partiu do governador, que é um cuiabano nato. Este projeto vai trabalhar a memória e história, mapeando as famílias que chegaram a Cuiabá. A pesquisa não para por aí. Os próximos governantes podem dar continuidade, mapeando desde a divisão até os dias de hoje”, disse Cely.