Estudo aponta boa qualidade de água dos rios da bacia Amazônica em MT

estudo aponta boa qualidade de água dos rios da bacia amazônica em mt

Nos últimos três anos, nenhum rio da bacia hidrográfica Amazônica apresentou água com qualidade ruim, segundo apontou um relatório realizado pela Secretaria estadual de Meio Ambiente (Sema), que leva em consideração 28 parâmetros físicos, químicos e microbiológicos avaliando a quantidade de Escherichia coli (coliformes fecais), a coloração da água, a turbidez, concentração de fósforo total, o oxigênio dissolvido entre outros.
Conforme a Sema, oito amostras foram coletadas de cada um dos 26 trechos das sub-bacias dos rios Juruena, Guaporé e Teles Pires, em 18 municípios, de 2012 a 2014. Nenhum dos trechos analisados apresentou água ruim para consumo ou banho, conforme a pasta.
Dos trechos estudados, o documento mostra que, em 2012, vinte e quatro apresentaram a qualidade da água boa e dois foram classificados como regulares, dos quais um deles no Rio Formiga, trecho que passa no município de Campos de Júlio, a 692 km de Cuiabá, e no Rio Lira, sob a ponte da BR-163, em Sorriso, a 420 km da capital.
As águas dos rios Juruena, em Conquista D´Oeste (a 571 km da capital), Guaporé, em Pontes de Lacerda (a 483 km de Cuiabá), e Celeste, em Sorriso, foram consideradas boas neste ano, mas, em 2013 passaram para a categoria regular, enquanto o trecho do Rio Lira se manteve na mesma posição do ano anterior.
Já em 2014, o número de trechos com água boa caiu para 19, enquanto o número de pontos com a qualidade de água regular subiu para sete. Nesse período se manteve regular desde 2013 os rios Juruena, Guaporé, Celeste e, por três anos consecutivos, o rio Lira. O Rio Formiga, que em 2012 estava regular, voltou para a mesma posição neste ano.
Já os rios Juruena, no trecho da BR-364, localizado no município de Campos de Júlio, e Teles Pires, no trecho da BR-020, em Planalto da Serra, a 254 km de Cuiabá, entraram pela primeira vez na categoria regular.
Tendência de piora
A qualidade da água é avaliada a cada quatro meses pelo laboratório da Coordenadoria de Monitoramento da Qualidade Ambiental da Sema, mas os dados são compilados e divulgados a cada três anos. Levando em consideração o aumento da quantidade de trechos regulares, o coordenador do setor, Sérgio Batista de Figueiredo, afirmou que os dados mostram uma tendência de piora.
No entanto, ele pondera que, no geral, a qualidade da água dos rios desta bacia está boa, tendo em vista que não obteve nenhuma classificação ruim. Ele justificou a qualidade da água pelo fato da bacia abranger um dos biomas mais preservados do Estado, que é o bioma Amazônico. Segundo ele, por ser pouco povoado em relação as outras bacias, o bioma ainda possui matas ciliares conservadas.
"Se analisarmos os pontos classificados como regulares se tratam de corpos hídricos que atravessam áreas urbanas cuja as pessoas desenvolvem ações que contribuem para a poluição das águas”, avaliou.
Para o coordenador, o relatório ajuda a informar a sociedade sobre como as ações, como jogar lixo nas ruas, contribuem para a poluição dos rios. O estudo também pode ser usado pelo estado para tomar decisões voltadas para a melhoria dos recursos hídricos. "É necessário iniciativas para reverter esse quadro porque ele tende a piorar conforme cresce o número populacional", disse.
Bacia do Paraguai
O último relatório apresentado pela Sema, em fevereiro de 2016, apontou que a qualidade da água de 11 rios da bacia hidrográfica do Paraguai piorou. Nove amostras foram coletadas de 37 trechos das sub-bacias dos rios Paraguai, Cuiabá e São Lourenço, em 23 municípios e dois distritos, durante os anos de 2012, 2013 e 2014.
De acordo com o relatório, a má qualidade da água é um reflexo da falta de saneamento básico nos municípios, atrelado ao desmatamento das Áreas de Preservação Permanente (APP).