Empresa pode mandar embora por atestado? Saiba mais

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Mike Alves

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Empresa pode mandar embora por atestado? Saiba mais

Entenda quando o atestado protege o trabalhador, quando a demissão pode acontecer e o que fazer se houver suspeita de discriminação.

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Receber um atestado médico e, pouco tempo depois, ser demitido assusta qualquer pessoa. A dúvida aparece na hora: empresa pode mandar embora por atestado? O tema envolve regras trabalhistas, bom senso e, muitas vezes, provas.

Em geral, o atestado justifica a ausência e impede desconto indevido daqueles dias. Só que isso não cria, por si só, uma blindagem total contra demissão sem justa causa. O que muda o jogo é o motivo real da dispensa e se houve abuso, retaliação ou discriminação.

Na prática, empresas podem demitir sem justa causa, desde que paguem as verbas rescisórias e respeitem direitos como aviso prévio, saldo de salário, férias proporcionais com adicional, 13º proporcional e saque do FGTS com multa, quando cabível.

O atestado entra como uma peça do contexto: ele comprova que você estava doente e precisava se ausentar. Se a demissão acontece exatamente por você ter apresentado o documento ou por estar em tratamento, a conversa muda de nível, porque pode indicar dispensa discriminatória ou represália.

Outra confusão comum é achar que todo afastamento impede demissão. Existe diferença entre faltar alguns dias com atestado e ficar afastado por benefício do INSS.

Em afastamentos mais longos, pode existir estabilidade em situações específicas, como em casos ligados a acidente de trabalho ou doença ocupacional, quando reconhecidos e com os requisitos legais.

Já em afastamentos curtos, o que vale é a regularidade do atestado, a relação com o trabalho e a forma como a empresa conduziu a situação.

Atestado médico justifica falta e protege o salário?

Se o atestado é válido, ele serve para justificar a ausência no período indicado. Isso costuma evitar desconto daqueles dias e ajuda a registrar que você não faltou por vontade própria.

Para o trabalhador, é importante guardar cópia do atestado e algum comprovante de entrega, como protocolo, e-mail ou mensagem. Esse cuidado simples reduz dor de cabeça mais tarde, caso surja discussão sobre falta injustificada ou punição.

Um ponto que pega é o prazo e a forma de entrega. Algumas empresas exigem que o atestado seja apresentado em determinado período e seguindo um fluxo interno. Quando essa exigência é razoável e está clara, vale cumprir.

Se você não consegue entregar no mesmo dia por motivos óbvios, como estar debilitado, vale avisar o mais rápido possível e registrar a comunicação. Isso não é frescura, é prova de boa-fé.

Empresa pode mandar embora por atestado mesmo assim?

Conforme explicação de advogados em Governador Valadares, MG, a demissão sem justa causa pode acontecer mesmo após a entrega de atestado, porque a legislação permite a dispensa imotivada.

Só que uma coisa é a empresa dizer que está reorganizando o setor. Outra coisa é ficar evidente que o motivo foi o atestado, a doença ou o tratamento.

Quando existe relação direta, o caso pode ser entendido como prática abusiva, com chance de indenização e, em situações específicas, até reintegração.

Para entender se houve problema, observe o conjunto de sinais. Se antes do atestado estava tudo normal e, depois, começam ameaças, ironias, cobranças fora do padrão e, por fim, a demissão, isso pode indicar retaliação.

Se a empresa demite logo após você entregar um atestado longo ou após contar que fará exames, esse timing também chama atenção. Nenhum sinal sozinho prova, só que vários juntos formam uma história.

Quando a demissão pode ser considerada discriminatória

Dispensa discriminatória é quando o empregador demite alguém por motivo ilegal ou ofensivo, como por estar doente, por ter uma condição de saúde estigmatizada ou por precisar de tratamento.

Não é preciso que o chefe diga isso com todas as letras. Às vezes, a discriminação aparece em atitudes: perseguição, exposição do problema de saúde para colegas, pressão para voltar antes do tempo, cobrança para não levar atestado e ameaças veladas.

Também existe discriminação quando a empresa cria um padrão: tolera atrasos e faltas de alguns, mas pune com rigor quem apresenta atestado.

Se há mensagens do gestor reclamando do seu atestado, pedindo para você não ir ao médico ou dizendo que vai te mandar embora por causa disso, o caso fica bem mais forte.

Por isso, guardar conversas e documentos é um passo importante para se proteger.

E se eu estiver afastado pelo INSS?

Quando o afastamento passa de 15 dias, em muitos casos a responsabilidade do pagamento muda e o trabalhador pode ser encaminhado ao INSS. Nessa situação, o vínculo de emprego continua, só que o contrato pode ficar suspenso.

A empresa costuma não poder demitir durante a suspensão do contrato, e podem existir regras de estabilidade em situações ligadas ao trabalho. O detalhe é que cada caso tem contexto e documentos, como CAT, laudos, comunicação de acidente e o próprio tipo de benefício concedido.

Se o problema de saúde tem ligação com o trabalho, como lesão por esforço repetitivo, crise causada por ambiente insalubre ou acidente durante o serviço, o cuidado deve ser redobrado.

Nesses casos, procurar orientação profissional cedo evita decisões erradas, como assinar documentos sem entender ou aceitar acordos desvantajosos.

O que a empresa pode questionar sobre o atestado

A empresa pode conferir se o atestado tem informações básicas, como identificação do profissional e período de afastamento. Ela também pode encaminhar o trabalhador para avaliação do médico do trabalho, dentro de limites.

O que não pode é exigir detalhes desnecessários, invadir sua privacidade ou expor sua condição de saúde. Diagnóstico e CID são temas sensíveis e, quando aparecem, precisam ser tratados com cuidado.

Também não cabe a um gestor dizer que atestado é mentira só porque não gostou. Se houver suspeita real de fraude, existe caminho adequado para apurar.

Fraude é coisa séria e pode gerar consequências, só que acusar sem prova também pode virar problema para a empresa, principalmente se houver humilhação ou dano moral.

Sinais de alerta de represália após atestado

Algumas situações aparecem com frequência e ajudam você a perceber que algo saiu do normal:

  • ameaças diretas ou indiretas sobre ser mandado embora por faltar com atestado
  • mudança repentina de tratamento, com cobranças fora do padrão
  • exposição do seu estado de saúde para colegas
  • punições repetidas sem explicação clara
  • pressão para voltar antes do prazo indicado
  • retirada de funções ou isolamento como castigo

Se algo disso aconteceu, não é para entrar em pânico, é para organizar informações. A maioria dos casos se resolve melhor quando a pessoa tem documentos e consegue explicar a sequência dos fatos com calma.

O que fazer se você foi demitido após apresentar atestado

Os melhores advogados em Governador Valadares recomendam que, primeiro, revise os documentos da rescisão e guarde tudo. Depois, organize uma linha do tempo simples com datas: quando ficou doente, quando consultou, quando entregou atestado, o que foi dito, quando veio a demissão.

Separe prints de conversas, e-mails, protocolos e testemunhas que presenciaram comentários ou perseguições. Não é para criar briga, é para ter base caso você precise buscar seus direitos.

Também vale checar se houve descontos indevidos, como cortar dias cobertos por atestado, descontar descanso semanal ou registrar falta sem justificativa.

Outro ponto é verificar se a empresa pagou tudo corretamente. Erro em verbas rescisórias é mais comum do que parece e, às vezes, o caso mistura problemas: demissão questionável e acerto final errado.

Se você suspeita que a demissão foi por atestado, procure orientação jurídica com os documentos em mãos. Um profissional vai avaliar se há indícios de discriminação, se existe estabilidade aplicável e quais pedidos fazem sentido.

Em muitos cenários, a prova é o centro de tudo. Com prova, o caso ganha força. Sem prova, fica mais difícil, mesmo quando a pessoa tem razão.

Como se proteger daqui para frente

Alguns hábitos simples ajudam muito:

  • entregar atestado por um canal que gere registro, como e-mail ou protocolo
  • guardar cópia do documento e do comprovante de entrega
  • evitar conversar sobre saúde só no boca a boca, sem nenhum registro
  • anotar datas e episódios que fugiram do normal
  • fazer exames e tratamentos com tranquilidade, sem medo de buscar cuidado

Saúde não deveria virar motivo de insegurança no trabalho. A empresa tem direito de organizar a equipe, só que o trabalhador também tem direito de adoecer, se tratar e não ser punido por isso.

Se a sua dúvida é empresa pode mandar embora por atestado, a resposta mais honesta é: a demissão pode acontecer, mas não pode ser usada como arma contra quem precisou se afastar por motivo de saúde. Quando esse abuso aparece, existem caminhos para buscar reparação.

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