Brasil pode se transformar em um dos maiores produtores de vacinas anticovid

Projeto em debate é liderado pelo relator da Comissão Temporária do Senado, Wellington Fagundes, do PL de Mato Grosso

“Temos uma alternativa robusta, que pode tirar o Brasil do epicentro da Covid-19 para a condição de ser um dos maiores exportadores de vacina em todo mundo”. A afirmação foi feita pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT), relator da Comissão do Senado que acompanha as ações de enfrentamento ao coronavírus, ao avaliar os encaminhamentos da reunião da CT nesta sexta-feira, 16, com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Também participaram da reunião representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Ministério da Agricultura, Ministério da Saúde, do Instituto Butantan e da Fundação Oswaldo Cruz, além dos laboratórios capazes de produzir o Insumo Farmacológico Ativo (IFA) em suas plantas industriais.

Além de produzir o IFA, a partir da transferência tecnológica, o Brasil dispõe de várias indústrias capazes de fazer o envasamento das vacinas, seguindo as recomendações da Anvisa. Segundo o relator da CT da Covid do Senado, isso coloca o país na condição de fabricar as vacinas que faltam ao brasileiro, assim como exportar para os países que enfrentam dificuldades.

O presidente do Senado confirmou esforços para pautar, na próxima semana, a votação do Projeto de Lei 1343/2021, do senador Wellington, que autoriza o uso das estruturas industriais destinadas à fabricação de produtos de uso veterinário na produção de vacinas contra a covid-19 no Brasil. O PL foi referendado pela diretora da Anvisa, Meiruse Freitas, responsável pela área de registro de vacinas.

O uso dos laboratórios que produzem vacinas para a saúde animal, proposta por Fagundes, segundo explicitou a diretora da Anvisa, é viável sob todos os aspectos. Ela sugeriu ajustes regulatórios e técnicos com o Ministério da Agricultura, que deverá fazer a certificação da conversação das plantas industriais.

Outro diretor da Anvisa, Romison Mota, foi taxativo e se mostrou entusiasmado: “Não há motivo para não dar certo. Estamos todos no mesmo trilho” – sinalizou. Ele disse já ter se reunido com representantes dos quatro laboratórios indicados pelo Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos para Saúde Animal (Sindan).

Entre os laboratórios classificados com nível de biossegurança NB3+ estão o Merck Sharp & Dohme, empresa farmacêutica, química e de ciências biológicas global presente em 67 países, sediada em Valinhos (SP); Ceva Brasil, que dispõe de quatro centros internacionais principais, com 19 centros regionais de produção pelo mundo, em Juatuba (MG),  e a Ouro Fino, que exporta produtos para vários países, com sede em Montes Claros (MG).

Aquisição de Vacinas

O diretor de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde,  Lauricio Monteiro Cruz, destacou o esforço brasileiro para aquisição de vacinas. Ele disse que toda a produção disponível será adquirida pelo Ministério da Saúde. Hoje, segundo ele, o maior problema continua sendo encontrar vacinas no mundo.

O CEO do Instituto Butantan, Cristiano Gonçalves, garantiu que há interesse na formulação de acordos para a produção do IFA. Atualmente, o Butantan é quem dispõe de acordo de transferência tecnológica com a chinesa Sinovac, previstos nos contratos de aquisição de insumos.