O preço do morango disparou 75% em 2023 e se consolidou como o alimento que mais encareceu no período, mostram dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2023, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira (11).
🍓O que aconteceu no campo? O preço da muda subiu muito para o produtor rural e, com isso, muitos agricultores tiveram que repassar esse custo para o consumidor. Por causa deste aumento, inclusive, muitos produtores de São Paulo e Minas Gerais – principais estados que cultivam a fruta – resolveram reduzir o plantio. Com a diminuição da oferta, o valor no supermercado subiu.
O cultivo de morango depende muito da produção de mudas, cujo custo é semelhante ao de um plantio: envolve adubos, defensivos e embalagens, produtos que vêm aumentando ano a ano para o agricultor. “Então não teve como não repassar mais esses custos para preços”, explica Júlio César Nogueira de Sá, que tem estufas de morango em Atibaia.
Outros itens ficaram mais caros ao longo do ano, como o azeite e o arroz, além de frutas e legumes, como a tangerina, laranja, pepino, abobrinha e cenoura.
Apesar disso, a inflação de alimentos, no geral, desacelerou de 2022 para 2023, influenciada pela queda de produtos que foram os grandes vilões do bolso do consumidor durante a pandemia, como as carnes e o óleo de soja.
Azeite também ficou mais caro
O preço do azeite, que subiu 37% no ano, chamou a atenção do consumidor ao longo de 2023 e não deve ficar barato tão cedo. O produto disparou no Brasil após uma forte seca na Europa que reduziu a safra de azeitona.
“O El Niño, que tem provocado essas temperaturas médias acima do normal, deve prosseguir ao longo do primeiro trimestre. A gente só deve ver alguma reversão apenas na virada do primeiro para o segundo semestre do ano que vem”, disse Felippe Serigati, professor da FGV Agro, em entrevista ao Jornal Hoje.
O Brasil importa praticamente tudo o que consome de azeite, pois produz muito pouco.
O que aconteceu com o arroz
O aumento de 24% no preço também foi influenciado por questões climáticas. A safra 2022/2023 teve perdas por causa de uma forte seca no Rio Grande do Sul, principal produtor do cereal no Brasil.
Além disso, as chuvas e os ciclones que atingiram atrapalharam a colheita e atrasaram o plantio da próxima safra.





