Theatro Fúria desembarca em Cáceres neste fim de semana

Projeto de intervenção urbana selecionado em edital da Secel dialoga com as artes cênicas e o patrimônio histórico e cultural

Foto por: Jú Queiroz

Depois de contemplar a cidade de Chapada dos Guimarães com o “Laboratório Prático de Desanestesiamento dos Sentidos”, o Theatro Fúria desembarca em Cáceres (214 km de Cuiabá) neste fim de semana.

O projeto de intervenção urbana, que dialoga com as artes cênicas e o patrimônio histórico e cultural de quatro cidades de Mato Grosso, pretende mudar a maneira como os transeuntes da cidade enxergam o mundo. Entre os dias 5 e 7 de março, o roteiro será feito a pé pela cidade e a bordo de embarcações.

Idealizador do projeto ao lado da artista Carolina Argenta – ambos são diretores e atores –, Péricles Anarckos explica que os participantes serão conduzidos em duas situações.




“Uma é a partir do Centro Histórico e via rota fluvial. Na rota urbana o foco é despertar histórias que sempre estiveram ali mas nunca foram percebidas e na rota fluvial é uma viagem mais introspectiva. É observar a natureza e ouvir o que ela tem a nos dizer. Procurar entrar na natureza sem deixar vestígios é o objetivo”.

Ele conta que em Chapada dos Guimarães, por onde passaram entre os dias 19 e 21 de fevereiro, a estratégia entusiasmou os participantes da oficina.

“Na rota fluvial desenvolvemos linguagens objetivas não-verbais para comunicar coisas essenciais. Em Cáceres vamos apostar nesse formato também. Além de um giro pelo Centro Histórico, embarcaremos em chalana, canoa… Ir à jusante 3 milhas náuticas e atracar no Porto de Cáceres”, diz o artista e marinheiro. “A propósito, ir à jusante quer dizer ‘Rio Abaixo’ e 3 mil milhas náuticas são 1.854 metros vezes 3”.

A oficina para “desanestesiar” os sentidos é gratuita e voltada ao público adulto e profissionais de várias áreas do patrimônio, como historiadores, arquitetos, guias e sociólogos, por exemplo.

Carolina Argenta conta que ele foi realizado experimentalmente nos anos de 2019, com alunos da MT Escola de Teatro, e em 2020 foi aprimorado no projeto de residência artística Arvinte.

Ela explica que para compor a rota de circulação foram escolhidas cidades que possuem riqueza histórico-patrimonial. “E além disso, onde sabemos que há interesse em roteiro cultural”.

Segundo Carolina Argenta, ao longo do trajeto programado para cada cidade os participantes são estimulados a se integrar ao cenário, despertando a autoestima e identificação com o local onde se habita.

“Nas primeiras duas imersões, ao final, nos surpreendemos com relatos de ‘redescobertas’. Somos educados e treinados desde a infância para anestesiar os nossos sentidos e empobrecer as nossas percepções em relação ao mundo que vivemos e a nós próprios. É isso que o laboratório quer mudar”, explica.

O Laboratório Prático do Desanestesiamento dos Sentidos começa com uma palestra a respeito do anestesiamento dos sentidos – especialmente os da visão e o da audição, como isso acontece, quando e porquê. Na sequência, os participantes vão para a rua para experimentar modos de como desanestesiar os sentidos perdidos. Um documentário registra os “encontros”.

A nova fase do projeto é custeada por recursos da Lei Aldir Blanc, disponibilizados via edital do Governo de Mato Grosso, por meio de sua Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) e realizado a partir de uma parceria com o Governo Federal, via Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo.

Integram a equipe do projeto, Juliana Queiroz (fotografia), Ana Carolina de Mello (cinegrafista) e João Régis (edição de vídeo).

Serviço

Laboratório Prático do Desanestesiamento dos Sentidos

Cáceres: 5 a 7 de março

Mais informações: acesse www.theatrofuria.com ou ligue: (65) 99234-2065