Sem-terra montam barreira com pneus e bloqueiam na BR-070

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Mais de 100 trabalhadores sem-terra, que se encontram acampados em uma fazenda às margens da BR-070 há três dias, bloquearam trecho dessa rodovia, em Cáceres, a 220 km da capital, nesta quinta-feira (12). Eles cobram a presença de representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para discutir a ocupação legal dessa área e também a agilidade da Justiça na análise de um recurso do Incra contra uma decisão favorável ao proprietário da Fazenda Rancho Verde para a desapropriação.

Um dos líderes do Movimento Sem-Terra (MST), José Vieira, disse que a rodovia só será liberada quando um representante nacional do Incra der um posicionamento sobre a situação da área e o que poderá ser feita para assentar essas famílias. "Estamos fazendo uma mobilização em prol da reforma agrária", afirmou. Está sendo permitida apenas a passagem de ambulâncias e ainda não existe a previsão de liberação da via.

Os manifestantes também disseram ter entrado em contato com a Superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para garantir a segurança das famílias. Vieira citou um caso registrado em Sergipe, nesta quarta-feira (11), onde uma carreta bateu em quatro veículos e deixou três pessoas mortas e quatro feridas.

Um motorista que passava pelo local ficou preso no bloqueio. "Passo diariamente com o caminhão por essa rodovia para transportar carga de Cuiabá para Cáceres e me deparei com o bloqueio", contou Osvaldo Barros.

Os sem-terra invadiram a fazenda na segunda-feira (9) e montaram barracos na área. Faz quatro anos que existe essa disputa pela área, a qual o Incra considerou improdutiva, mas a Justiça considerou produtiva. E, pela legislação, a terra só pode ser desapropriada se o dono não tiver produzindo nada no local.

Uma vistoria realizada pelo Incra em 2012 tinha apontado que a terra era improdutiva, mas os donos ingressaram com um processo contra a desapropriação da fazenda. A Justiça Federal então determinou uma segunda perícia, por um engenheiro agrônomo, mas, como o proprietário teria que pagar R$ 43 mil pelo trabalho, a perícia não teria sido realizada.

Outra fazenda foi invadida pelos manifestantes nesta quarta-feira (11), no município de Itaúba, a 599 km da capital, na região norte do estado. A área de 9 mil hectares é de propriedade particular. De acordo com o Movimento Sem-Terra (MST), a análise de produtividade da terra está sob análise do Incra.