Representante da Caixa deve depor à CPI da Copa sobre liberação de verba

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Três testemunhas devem prestar depoimento à CPI que apura indícios de irregularidades nas obras da Copa nesta quarta-feira (22), entre elas o superintendente regional da Caixa Econômica Federal, Carlos Roberto Pereira. Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, ele deve ser questionado sobre os motivos pelos quais os recursos foram liberados pela instituição financeira ao governo do estado sem que as obras tivessem sido executadas como o previsto em contrato, como adiantou o presidente da CPI, Oscar Bezerra (PSB).

Para o parlamentar, o que causa estranheza é o fato de que, normalmente, a Caixa é extremamente rigorosa nas medições. Se a obra não estiver exatamente como prevê o contrato, o recurso não é liberado, segundo ele. "Quando eu era prefeito de Juara [a 690 km de Cuiabá], não liberavam o recurso se o meio fio, que deveria ter 15 centímetros de largura, tivesse 13,5 centímetros", disse.

Em relação às obras da Copa, o rigor não teria sido o mesmo, na avaliação prévia do presidente da comissão. "Há indícios de que não tinham sido tão criteriosos como costumam ser", pontuou. Porém, ele avalia que é preciso ouvir a Caixa para verificar se nos projetos executados por meio do Regime Diferenciado de Contratação (RDC) havia alguma mudança quanto à medição.

Outro critério que também teria sido descumprido é a autorização da construção de obras sem a elaboração de projetos. Conforme o deputado, o viaduto da Sefaz, na Avenida do CPA, seria uma delas.

Além do superintendente da Caixa, os depoimentos do representante da Planserv Sondotécnica, Valter Boulos, e do auditor do estado Marcelo Zavan, que teria ajudado na elaboração do relatório sobre as obras. A empresa Planserv foi contratada pelo governo para avaliar a qualidade dos serviços executados e acompanhar o andamento deles.

"Foram apresentados 24 relatórios e essa empresa [Planserv] recebeu R$ 1,7 milhão por mês para fazer esse trabalho. Ocorre que os relatórios apontavam irregularidades, mas ninguém resolvia nada. Deveriam ter encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE)", afirmou Bezerra. Os depoimentos estão marcados para começar às 14h [horário de Mato Grosso].

Até agora, a CPI colheu pelo menos 10 depoimentos. Entre as testemunhas que já prestaram esclarecimentos está o ex-secretário da Copa Eder Moraes, preso há quase um mês. Ele negou qualquer ilegalidade no período em que esteve na extinta Secopa, principalmente na troca do modal de transporte para o mundial, de Bus Rapid Transit (BRT) para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) também deve ser ouvido pela CPI. A oitiva dele está marcada para o próximo dia 2.