O que começou como um sonho, hoje, se tornou uma realidade que a cuiabana Emanuelle Guedes não esperava alcançar tão cedo, aos 25 anos. A partir de 7 de setembro, durante a celebração do bicentenário da Independência do Brasil, ela se torna a segunda maestra a reger a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Mas para chegar a tal posto, enfrentou várias barreiras no meio artístico.
A descoberta do talento para música foi descoberta, inicialmente, pelo canto. Quando criança, ela cantava no coral da igreja. Depois, passou a se aprimorar nas teclas dos pianos. Mais tarde, decidiu cursar bacharelado em regência na UFMT, onde se descobriu na orquestra.
Para alcançar a regência da orquestra, Emanuelle contou ao g1 que precisou conquistar o respeito dos músicos gradativamente, conforme mostrava a força do trabalho aliado ao talento musical.
“Aqui, assim como em quase todas as orquestras do mundo, existe um histórico majoritariamente masculino. Até poucos anos atrás, as mulheres não eram aceitas, nem respeitadas e nem admitidas em posições de liderança”, afirmou.
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Emanuelle à frente da orquestra em apresentação — Foto: Rafael Motta/Divulgação
Agora, trilha o mesmo caminho aberto pela primeira mulher a liderar a orquestra, Silbene Perassolo, em 2002.
“Me sinto honrada pelo reconhecimento profissional. Esse sexismo não deveria existir, o que deve ser levado em consideração é o trabalho. Eu me sinto feliz e sinto que é um avanço no sentido de eliminar essa atitude do meio musical e orquestral”, contou.
Segundo ela, a visão predominante masculina no meio artístico tem passado por mudanças.
“É importante que os diretores artísticos tenham essa visão de não fazer essa diferença e não continuar essa prática tão errada. Isso em todas as profissões. Ninguém deve ser julgada pelo sexo, mas, sim, pela competência e trabalho”, disse.
A pouca idade também foi um fator que impactou no ambiente de trabalho.
“Os diretores não dão oportunidade aos jovens, não há investimentos de novos regentes. Ali, você constrói o seu respeito e relação de reciprocidade, porque, para alguns, o primeiro impacto é: ‘Nossa, o que eu tenho de carreira, ela tem de idade. É muito jovem’. Há uma resistência por parte dos músicos por causa da idade”, disse.
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Emanuelle conduzindo concerto da UFMT — Foto: Rafael Motta/Divulgação
Outra barreira que Emanuelle precisou derrubar para chegar à liderança foi encarar a escassez de oportunidades de trabalho no meio musical.
“Não temos muitas orquestras e, nas poucas que temos, há um regente. Se eles não dão oportunidade aos jovens, eles se mantêm até o final. Então, o mercado é bem escasso. Inclusive, vemos muitos músicos formados partindo para docência ou construindo um projeto para ter a oportunidade de reger, porque o mercado é escasso. Não se têm tantas oportunidades e nem orquestras para a quantidade de maestros”, ressaltou.
Repertório
Na apresentação do 7 de Setembro, o concerto começa com obras de Schubert, Barber, Guerra-Peixe e Bernstein. A segunda parte conta com a artista mato-grossense Estela Ceregatti, a solista da noite.





