A bichectomia tem ganhado popularidade nos consultórios de cirurgia plástica e odontologia estética nos últimos anos, principalmente por seu impacto direto na aparência facial. Embora celebridades tenham contribuído para sua fama, há muito mais na bichectomia do que apenas um procedimento da moda. Entender suas funções, indicações e seus impactos é fundamental para avaliar se essa é uma escolha adequada para cada pessoa.
O que é a bichectomia?
A bichectomia é um procedimento cirúrgico estético que envolve a remoção parcial ou total das bolas de Bichat, estruturas de gordura localizadas nas bochechas. As bolas de Bichat, também chamadas de bolsas adiposas bucais, não desempenham funções metabólicas significativas e estão presentes em todos os seres humanos.
O tamanho dessas bolsas de gordura pode variar consideravelmente de uma pessoa para outra, o que faz com que algumas pessoas apresentem um rosto mais arredondado ou bochechas mais proeminentes. A bichectomia visa justamente a redução do volume dessa região, conferindo ao rosto uma aparência mais afinada e definida.
A cirurgia se popularizou principalmente por seus resultados no contorno facial. Com a retirada parcial ou total da gordura, a definição do maxilar é potencializada e a face ganha um formato mais triangular, característica geralmente associada à beleza e à elegância. Apesar de ser um procedimento considerado seguro e relativamente simples, ele também carrega algumas controvérsias e cuidados que precisam ser observados.
Qual é a função da bichectomia?
A principal função da bichectomia é promover uma mudança estética no contorno facial, tornando-o mais fino e marcado. Diferente de outros procedimentos estéticos, como a lipoaspiração, que reduz a gordura corporal de forma generalizada, a bichectomia atua de forma localizada, focando especificamente no volume das bochechas. Por isso, sua principal indicação é para pessoas que desejam uma aparência facial mais delineada e são incomodadas pelo excesso de volume nesta região.
Por outro lado, a bichectomia não tem qualquer função em termos de saúde ou perda de peso. Ela não é indicada como uma forma de emagrecimento facial, mas sim como uma intervenção estética, cuja finalidade é moldar o rosto. Existem também casos em que a remoção das bolas de Bichat pode ser indicada não apenas por razões estéticas, mas por fatores funcionais. Em algumas pessoas, as bolsas de gordura são volumosas a ponto de interferir no processo de mastigação ou causar mordidas frequentes na parte interna das bochechas, o que pode levar a lesões e desconfortos.
Procedimento e recuperação
A bichectomia é um procedimento minimamente invasivo realizado, na maioria dos casos, sob anestesia local e dura em torno de 30 a 60 minutos. A cirurgia é feita através de pequenas incisões dentro da boca, pelas quais o cirurgião acessa e remove as bolas de Bichat. Como a incisão é interna, não há cicatrizes visíveis externamente, o que é um dos grandes atrativos do procedimento.
A recuperação geralmente é rápida, mas requer alguns cuidados. Nos primeiros dias após a cirurgia, é comum haver inchaço e desconforto na região operada. Recomendam-se compressas frias para minimizar o inchaço e a dor, além de uma dieta leve e pastosa. Outra recomendação importante é evitar atividades físicas intensas e seguir à risca as orientações do profissional que realizou o procedimento para prevenir complicações, como infecções e hematomas.
Apesar de ser uma cirurgia simples, a bichectomia deve ser realizada apenas por cirurgiões devidamente habilitados. Tanto dentistas quanto cirurgiões plásticos podem realizar o procedimento, desde que tenham especialização e experiência nessa área. Por se tratar de uma intervenção na região do rosto, qualquer erro pode acarretar em complicações estéticas ou funcionais permanentes, como danos aos nervos faciais.
Indicações e contraindicações da bichectomia
A bichectomia é indicada principalmente para indivíduos que se sentem incomodados com o volume excessivo das bochechas e buscam um contorno facial mais fino. Essa insatisfação pode ter diversas causas, como fatores genéticos que determinam o acúmulo de gordura nessa região, tornando o rosto mais arredondado do que a pessoa gostaria. Pacientes com boa saúde geral e expectativas realistas são candidatos ideais para a cirurgia.
Por outro lado, existem casos em que a bichectomia é desaconselhada. Pacientes que possuem rostos naturalmente magros podem sofrer efeitos indesejáveis com a remoção das bolas de Bichat, como uma aparência excessivamente envelhecida ao longo do tempo. A gordura presente nas bochechas contribui para um aspecto jovial do rosto, e sua retirada pode, eventualmente, acelerar a aparência de envelhecimento — um dos principais motivos pelos quais alguns especialistas questionam a popularização desse procedimento. Portanto, é essencial realizar uma avaliação minuciosa antes de decidir pela cirurgia.
Riscos e complicações potenciais
Embora a bichectomia seja considerada segura, como qualquer procedimento cirúrgico, apresenta riscos. Entre as complicações possíveis estão infecções, hematomas, danos aos nervos da face, assimetria facial e dificuldades de movimentação muscular. A assimetria é uma preocupação significativa, pois mesmo uma pequena diferença na quantidade de gordura removida de cada lado pode resultar em um desequilíbrio visual perceptível.
Outro ponto de atenção é a possibilidade de arrependimento. Ao contrário de outros procedimentos estéticos que podem ser revertidos, como a aplicação de ácido hialurônico, a bichectomia é um procedimento definitivo. Uma vez que as bolas de Bichat são removidas, elas não podem ser restauradas naturalmente, o que torna essencial a avaliação cuidadosa das motivações e dos resultados esperados.
Estudos também indicam que a retirada das bolas de Bichat pode aumentar a flacidez com o passar dos anos, principalmente em pessoas que já têm propensão ao envelhecimento precoce ou perda de elasticidade da pele. Assim, pacientes com predisposição para rugas e pele flácida podem precisar considerar outros tratamentos complementares para minimizar os efeitos do envelhecimento.
Aspectos psicológicos e estéticos
A bichectomia, como outros procedimentos estéticos, tem um impacto significativo na autoestima e confiança das pessoas. Indivíduos que se sentem desconfortáveis com o formato do rosto podem experimentar um aumento considerável na confiança após o procedimento. Segundo um estudo publicado na revista “Aesthetic Plastic Surgery”, pacientes relataram maior satisfação com sua aparência após a bichectomia, destacando-se a melhoria na autopercepção e no bem-estar emocional.
No entanto, é importante lembrar que qualquer alteração estética deve ser cuidadosamente considerada, levando em conta tanto os aspectos físicos quanto os psicológicos. O desejo por uma aparência mais estética não deve ser motivado exclusivamente por pressões externas ou expectativas irrealistas impostas por padrões de beleza midiáticos. A decisão de realizar uma bichectomia deve partir do desejo individual, após uma reflexão honesta sobre os prós e contras do procedimento.
A bichectomia é uma solução interessante para quem busca um contorno facial mais definido e harmonioso, particularmente para pessoas que possuem volume excessivo nas bochechas. Como qualquer intervenção cirúrgica, deve ser encarada com seriedade, pois envolve riscos e resultados que são irreversíveis. Consultar profissionais qualificados e discutir todas as dúvidas e expectativas é essencial para garantir que a decisão seja informada e coerente com o perfil do paciente.
A função principal da bichectomia, portanto, é a estética — modificar o volume das bochechas para atingir um rosto mais afinado e, consequentemente, gerar maior satisfação pessoal em relação à própria aparência. Avaliar as expectativas e compreender todos os aspectos do procedimento são passos fundamentais para se obter um resultado satisfatório, evitando arrependimentos futuros e maximizando os benefícios tanto estéticos quanto psicológicos. Em última instância, a decisão pela bichectomia deve ser baseada em um desejo consciente e bem fundamentado, priorizando sempre a saúde e o bem-estar do paciente.





