Professora denuncia constrangimento e injúria racial em agência do Detran em Rondonópolis

Picture of Primeira Hora

Primeira Hora

Foto: Detran/MT

Professora denuncia constrangimento e injúria racial em agência do Detran em Rondonópolis

Compartilhe:

Uma professora da rede municipal de Educação, de 34 anos, disse ter sofrido constrangimento e injúria racial em um Posto de Atendimento do Detran em Rondonópolis. A servidora Keila Pereira da Silva foi até o Posto de Atendimento da Vila Operária para renovar sua habilitação.

A professora usava turbante, item que faz parte de sua identidade afro-brasileira, e atendeu a servidora do Detran que solicitou a retirada para a captura da foto para sua CNH. “Fiz o que ela me pediu. Mas, ela ficou proferindo palavras que me deixaram intimidada, com vergonha e triste”, disse Keila.

De acordo com a professora, “seu cabelo está muito alto”, “seu cabelo não está aparecendo na foto”, “não estou conseguindo tirar a foto por causa do seu cabelo”, “não estou conseguindo fazer o enquadramento porque seu cabelo é muito alto” foram algumas das falas da atendente.

O processo de tirar foto para a habilitação, que é rápido, demorou vários minutos. “Sei que a atendente só estava cumprindo regras e a função dela. Porém, isso precisa ser revisto. Até quando teremos que passar por uma situação como essa?”, destacou a professora.

Outro incômodo sentido por ela foi o fato que muitas pessoas estavam aguardando na fila para também tirar foto. “Foi como se eu estivesse atrapalhando quem estava ali para ser atendido. Foi uma situação muito vexatória. Como se eu tivesse alguma culpa por ter cabelo crespo e alto. Senti na pele as consequências do racismo estrutural”, disse.

Keila Silva pretende entrar com ação judicial por danos morais e injúria racial. “Vou transformar minha dor em luta para que outras pessoas negras como eu não passem por isso”, finalizou.

Deixe um comentário

[gs-fb-comments]

Veja Também