Por que Bolsonaro topa votar o “PL da Dosimetria”

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Gustavo Moreno/STF

Por que Bolsonaro topa votar o “PL da Dosimetria”

Aliados de Jair Bolsonaro explicam que ex-presidente tem motivos para apoiar que se vote o quanto antes o “PL da Dosimetria”

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Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso domiciliarmente desde o início de agosto, dizem que, ao contrário de seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ele quer que se vote o quanto antes o “PL da Dosimetria“.

Isso porque, apesar de desejar a anistia “ampla, geral e irrestrita”, Bolsonaro sabe que, em política, é necessário aproveitar as oportunidades — e que o momento pode ser o “ideal” para tentar, ao menos, diminuir seu tempo preso.

Além da janela de oportunidade, que contaria até mesmo com a “benção” velada de ministros do STF, há também a insatisfação de políticos de centro e centro-esquerda com o PT, por causa da PEC da Blindagem.

Como mostrou a coluna, dirigentes de partidos aliados expressaram descontentamento com a posição do PT. O problema, explicam, não foi apenas ter votado contra, mas ter “jogado” aliados aos leões nos atos de domingo (21/9).

Bolsonaro já foi avisado de que isso pode refletir na votação do “PL da Dosimetria”. Com partidos irritados com o PT, dizem aliados, fica mais fácil a aprovação de destaques que favorecem o ex-presidente.

A ideia do PL, partido de Bolsonaro, é que se vote o quanto antes a proposta de redução de penas. Durante a sessão, a legenda deve apresentar um destaque propondo anistia para os envolvidos na trama golpista.

O próprio relator da proposta, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), admitiu em conversas com partidos que há risco de o destaque do PL ser aprovado, e que não há como seu texto não beneficiar, em algo, Jair Bolsonaro.

Entrave

A votação, entretanto, ainda enfrenta alguns entraves — a ponto de o relator admitir que, apesar de sua vontade, o projeto não deverá entrar na pauta da Câmara dos Deputados na próxima semana.

Um deles é a articulação contra a diminuição das penas de Eduardo Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos. Na segunda-feira (22/9), o governo Trump anunciou novas sanções contra o ministro Alexandre de Moraes.

Isso atrapalhou os debates pelo texto, já que Paulinho é próximo de Moraes. Como mostrou a coluna, o deputado chegou, na terça-feira (23/9), a ligar para interlocutores do ministro do STF para contar das articulações.

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