Cláudio Ferreira (PL) assumiu a prefeitura de Rondonópolis envolto em muitas expectativas. Nos primeiros dias de governo, percebeu que enfrentará muitos obstáculos para implementar o que classificou como “discurso da mudança”, seu principal mote durante a campanha eleitoral, na qual venceu o grupo do ex-prefeito Zé Carlos do Pátio (PSB) e do deputado estadual Thiago Silva (MDB).
Durante a campanha, Cláudio chegou a ser apontado como terceira força. Com um marketing eficiente, se tornou o contraponto aos adversários e venceu as eleições com uma vantagem que poucos imaginavam.
Na última quinta-feira (20), Cláudio recebeu a equipe do Primeira Hora em seu gabinete para uma entrevista exclusiva. Estavam presentes apenas o prefeito, a equipe do PH e seu assessor, Vandi Santos.
Já no poder, ele, que se considera workaholic (viciado em trabalho), revelou que sua rotina tornou-se ainda mais intensa: chega à prefeitura pontualmente às 7 horas e raramente sai antes das 23 horas. “Dá para contar nos dedos os dias em que saí antes desse horário”, afirmou. Inclusive, tem almoçado frequentemente no próprio gabinete.
O prefeito tem feito duras críticas ao seu antecessor, Zé Carlos do Pátio, alegando que este deixou contas a pagar e não manteve contratos essenciais, como o de manutenção asfáltica com a Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder).
Apesar das dificuldades iniciais, nos bastidores da entrevista Cláudio afirmou estar determinado a implementar uma gestão voltada para resultados, com uma utilização mais inteligente dos recursos públicos. Não falou abertamente sobre uma eventual reeleição ou seu futuro político, mas sugeriu considerar Zé Carlos do Pátio como seu principal adversário numa eventual nova disputa, enquanto não vê o deputado Thiago Silva como um rival direto.
Com raciocínio rápido e bastante articulado, Cláudio demonstrou estar em busca de soluções para os problemas herdados.
Confira abaixo a entrevista concedida pelo prefeito ao Primeira Hora:
Confira abaixo a entrevista do prefeito ao PH
50 dias de gestão, o que você tem a dizer para a população de Rondonópolis desses 50 dias?
Olha, eu tenho a dizer que nós fomos felizes até o momento em fazer o que nós deveríamos fazer, que é um diagnóstico da situação, de como se encontra a instância organizacional, financeira da prefeitura. E dizer também que eu estou muito confiante com o apoio da população, que é muito importante, com apoio do setor produtivo, da livre iniciativa, da imprensa, de parte da imprensa, porque infelizmente tem alguém que se aproveita desse tempo de familiarização com a gestão, que é um tanto quanto difícil, nós passamos por isso, infelizmente, nós recebemos a prefeitura sem condições estruturais de dar continuidade aos serviços essenciais, como, por exemplo, cortar grama.

Nós não tínhamos contratos suficientes para cortar grama da cidade, imagina, de fazer a correção, de fazer o tapa-buraco, de fazer a recuperação asfáltica, e a falta, a inexistência desses contratos terminou prejudicando a população, prejudicando a gestão. Mas nós conseguimos contratualizar esse serviço, serviço começado, e eu tenho certeza que logo mais a população vai entender que a gente foi vítima dessa obsolescência, dessa ação programada para desfavorecer nossa gestão.
Mas, enfim, eu estou crente que com o apoio dessas instituições, do povo, do setor produtivo, dos trabalhadores e da Câmara, nós vamos, sim, fazer uma gestão exitosa, e esse é o nosso compromisso desde o começo.
O senhor falou de Câmara, a relação com a Câmara nesse período, como o senhor avaliou? Positiva?
Ah, eu acredito que é uma relação, nós temos conseguido isso, uma relação republicana, uma relação de confiança, eu tenho percebido que a Câmara, os vereadores, têm confiado no nosso trabalho, nas nossas iniciativas, e nós também temos dado o devido crédito para o legislativo municipal, afinal de contas, o prefeito pode, mas não pode tudo, você pode quando existe um consenso com o legislativo, nós estamos nesse caminho de debate, de conciliação, de construir um entendimento em torno dos problemas, então, assim, eu acredito muito que a gente vai manter essa relação, essa relação vai ser melhorada a cada dia que passa.
Relação com o governo federal, você é um partido opositor ao governo, você tem tido dificuldades com o governo federal?
Olha, eu nunca acreditei no governo federal, desde o começo, lá atrás, logo quando a gente, no início dessa gestão do governo federal, eu fui procurado pela imprensa e eles me perguntaram o que eu esperava do governo federal, e eu fui bem claro que, infelizmente, não é que eu desejava isso, eu queria e eu ainda quero que o governo federal, por mais que eu seja oposição, eu não acredito nesse grupo político, não acredito no PT, não acredito na esquerda brasileira, acho que é um grupo datado, bem antiquado, eu disse lá atrás, no início de 2023, quando o governo começou, que esse governo ia errar, ia falhar e tem falhado, errou porque é um governo que vem com as mesmas medidas antiquadas e derrotadas, que eles tomaram lá no ano de 2002, 2001, quando o governo Lula estava começando a sugestão, naquela ocasião, o primeiro governo Lula, ele pegou uma onda de, uma boa onda internacional, nós tínhamos ali o aumento das commodities, o governo anterior tinha feito várias reformas, como por exemplo, a reforma previdenciária, tinha feito ali a lei de responsabilidade fiscal, então era um governo que entregou a união com uma situação melhor do que ele recebeu, e aí o governo Lula, naquele primeiro governo dele, conseguiu surfar naquela onda positiva que tinha, mas agora nós temos um cenário diferente, nós temos um cenário econômico global, um tanto quanto recessivo, hoje as economias, elas têm que ser mais competitivas, o mercado internacional canaliza os seus investimentos mais para as economias livres, a competitividade aumentou, hoje a economia está mais globalizada que antes, então já não é um cenário igual o Lula pegou lá em 2021, a gente entendia que ele ia redobrar a aposta, ia continuar acreditando nas mesmas ideias, continuou acreditando nas mesmas ideias, falhou nesse bienio, nesses dois anos de gestão, e eu tenho certeza, embora eu não desejo isso para ninguém, o governo Lula vai errar agora, nesse ano, e vai errar no ano que vem, é só ele continuar fazendo o que ele sempre fez, começou errado, vai terminar errado, gastar demais, sem lastrear esse gasto, é uma receita de dar errado.

Outra pergunta, só para a gente encerrar, governo Mauro Mendes?
O governo Mauro Mendes foi um governo que herdou uma gestão muito ineficiente, o antecessor do Mauro Mendes foi de um governo também errático, um governo que não tinha capacidade de fazer gestão administrativa, que foi o governo Pedro Taques.
Que já veio de outro governo complexo, do Silval?
Do Silval, então são dois mandatos de governos que não entendiam o que era gestão, e naturalmente que falharam, e pagaram preço por isso, um teve um problema de ser condenado, e ter que responder até criminalmente por várias iniciativas, o outro foi tirado porque não tinha capacidade gerencial, isso se constatou, deixou o mandato com salários atrasados, com vencimento atrasado, e o governo Mauro Mendes. O Mauro é uma pessoa que entende gestão, sabia o que era, o que deveria fazer, o que era prioridade, fez o ajuste fiscal, arrumou a casa, conseguiu implementar a receita, e aumentou a capacidade do governo de investimento, hoje investe mais de 15% a média.
Você é fã do Mauro Mendes como gestor?
Eu acredito que o Mauro está fazendo uma gestão eficiente, tem naturalmente que pode ser melhorado, não tem sentido você não acreditar nisso, pode ser melhorado sim com certeza, mas ele fez o dever de casa, ele fez o que era possível no momento, tem feito, eu aposto que o Mauro tem mais ponto positivo do que ponto negativo, isso é uma avaliação minha, a população avaliou isso, avaliou o governo dele, o primeiro mandato, votou nele, e ele provavelmente vai passar por uma outra avaliação eleitoral, e eu acredito que ele vai receber a recompensa do trabalho dele.
Só para encerrar, de 0 a 10, que nota se daria para o Zé Carlos do Pátio?
Ah, como prefeito, não como pessoal obviamente.
A nota, olha assim, eu acho que assim, a população já deu essa nota, aqui foram mais de, foi foram mais de 110 mil votos, o candidato dele ficou com cerca de 26 (mil) , então a população deu nota mais ou menos ali, nota 3, a população que fez isso, não fui eu, então o candidato dele ficou com 26 mil votos, a população, a gente tirou mais de 56, então a gente tirou duas vezes mais a quantidade de votos, então a população ali deu essa nota, entre 2,5 e 3, e eu faço parte da população.

Tem muita gente usando um termo pejorativo, dizendo que você é um prefeito TikTok, é um prefeito de Instagram, como você tem recebido essas críticas?
Olha, primeiro que o pessoal fala aí prefeito TikTok, prefeito aquilo, outro, eles só não vão me chamar de prefeito corrupto, isso eles não vão me chamar, e no final tem um trecho bíblico que diz que o fim das coisas é melhor que o princípio delas, então tem que esperar o fim lá, não tem Nossa Senhora do bom começo, tem Nossa Senhora do bom fim, então temos que esperar o fim.
E a outra pergunta é o seguinte, uma das palavras que a gente mais ouviu nesses 50 dias foi a palavra herança, você tem reafirmado que você recebeu uma herança muito negativa, várias heranças negativas do antigo prefeito, a cidade que foi te apresentada lá na transição é muito diferente dessa cidade que você recebeu?
Nós recebemos uma prefeitura com as finanças completamente comprometidas, foi cometido muitas irregularidades, irresponsabilidades, a gestão passada era uma gestão irresponsável, e isso vai ser comprovado, nós temos várias provas disso, estou falando de algo que é uma realidade, uma constatação, então o governo é uma gestão irresponsável, que entregou uma saúde em estado deplorável, ele comprou 8 milhões de remédios no ano passado todinho, eu comprei 32 milhões só agora em fevereiro, não cuidou dos contratos, de ter dado sequência para eles, e não só penalizou a gestão, no caso a gente, penalizou a população, então o que a gente constatou na transição, que a gente viu na transição, é realmente o que a gente está constatando aqui, a gestão é uma gestão irresponsável, inconsequente e propagandista, nada mais que isso, e a população reprovou, entregou um trânsito caótico, um trânsito que mata duas vezes mais do que a média nacional, entregou um transporte público deplorável
O que o senhor vai fazer com a autarquia?
A prefeitura não pode montar firma, não pode montar empresa, quem monta empresa é empresário, empreendedor, nós vamos acabar com isso, só sei que inicialmente, tem que manter porque é um serviço essencial, tem que manter inicialmente, nós pegamos a frota de ônibus que ele comprou a juros altíssimos, juros de 219% do CDI, um absurdo, um absurdo, sabe um absurdo do ponto de vista financeiro, comprometeu as finanças da prefeitura, e ele comprou esses ônibus, há 50 ônibus financiados, e o povo está pagando esses ônibus, e 50 ônibus e quando nós chegamos, hoje tinha 22 ônibus funcionando, hoje já tem mais de 45 funcionando, e agora o que era anunciado, nós vamos diminuir pela primeira vez a passagem de ônibus, ele não vai ser para o preço que a gente quer, mas nós vamos diminuir já, esse final de mês, nós vamos diminuir o preço da passagem de ônibus, porque nós temos um compromisso, e nós vamos trabalhar para honrar esse compromisso, pegando a cidade,
Vai diminuir de quanto para quanto, já sabe?
Ainda não, estamos fazendo as contas aí, é exclusiva, daqui um dia eu vou falar aí, estamos fazendo conta já, o que nós vamos fazer, mas também, além desse problema do trânsito, transporte público, saúde, enfim, o problema que mais tem, o problema organizacional, a prefeitura sem processos, sem o servidor valorizado, sem certidão negativa, a Coder, o rombo para todo lado.
O destino da Coder é o mesmo da autarquia?
A Coder com mais de 260 milhões de dívidas, um rombo, essa gestão passada, a gestão do Zé do Pátio, foi a gestão responsável por quebrar a Coder, o Zé do Pátio quebrou a Coder, ele foi completamente irresponsável.

Repito a pergunta: O destino da Coder era o mesmo da autarquia?
Olha, sequer o Zé do Pátio pagava FGTS dos trabalhadores, deu calote nos trabalhadores, os trabalhadores coitados, não ficaram sem receber, mas nós vamos pagar, eu não vou, nós vamos, se Deus quiser terminar essa gestão, pagando todas, todo o FGTS que o trabalhador tem direito, nós não vamos deixar ninguém para trás, a questão da Coder, nós temos, infelizmente, nós temos que lidar com essa situação caótica, nós vamos fazer tudo que for legal, sem comprometer os trabalhadores, eu tenho falado sempre, o dever do capitão é cuidar da sua tripulação, se o navio for afundar, nós vamos lançar os botes na água, salvar a tripulação e deixar o navio afundar, mas nós vamos salvar a tripulação, então assim, meu compromisso é com os trabalhadores da Coder, eu não tenho, se a Coder puder ser salva, se ela puder, se a prefeitura tiver condições, tudo bem, se ela não tiver, se isso não for possível mais, nós vamos estar fazendo isso de acordo com os órgãos de controle, de acordo com o TCE, de repente uma conciliação junto ao Tribunal de Justiça, se for possível, a Coder vai ser salva, se não, nós vamos procurar conciliação e fazer o que pode ser feito.
Até o final do seu mandato, vamos supor que o senhor tenha 8 anos, que o senhor tenha 2 mandatos, Rondonópolis tem a chance de voltar a ser a cidade mais procurada pelas grandes indústrias, como foi no passado?
Eu me comprometo com você, que no máximo em 3 anos, nós vamos ser destino, vamos ser um dos maiores destinos de investimento no país novamente, porque nós estamos dando transparência, uma das nossas meias medidas é a Lei de Liberdade Econômica, nós estamos dando transparência para os atos públicos, diminuindo a burocracia e vamos continuar fazendo isso o tempo todo, eu tenho certeza que a população não vai se surpreender com a nossa gestão, porque ela já confiou, a população ela vai se sentir respeitada, honrada pela confiança que ela entregou e o nosso compromisso é esse, honrar esse voto de confiança, nós vamos entregar uma cidade muito melhor do que a gente recebeu, daqui até terminar esse mandato aí, Obrigado!





