Astrônomos anunciaram na última quinta-feira (7) fortes evidências de um novo planeta gigante gasoso orbitando o sistema estelar Alfa Centauri, o mais próximo do nosso Sol, a apenas 4 anos-luz da Terra.
As informações, divulgadas pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, dizem que o achado foi feito com o poderoso Telescópio Espacial James Webb, mas o planeta ainda precisa ser confirmado por novas observações.
Localizado no sistema estelar triplo Alfa Centauri, composto pelas estrelas Alpha Centauri A, Alpha Centauri B e a anã vermelha Proxima Centauri, o possível planeta orbita Alpha Centauri A, uma estrela muito semelhante ao nosso Sol em temperatura e brilho.
Essa proximidade e semelhança com o Sol tornam a descoberta especialmente empolgante, já que planetas em sistemas estelares como esse podem ter luas com condições para abrigar vida, semelhante às luas geladas de Júpiter, como Europa.
Planeta que aparece e desaparece
O suposto planeta foi detectado em agosto de 2024, quando o Telescópio James Webb capturou imagens diretas usando seu Instrumento de Infravermelho Médio (MIRI) e uma máscara coronográfica para bloquear a intensa luz de Alpha Centauri A.
O objeto identificado era 10.000 vezes mais fraco que a estrela e estava a cerca de duas vezes a distância entre o Sol e a Terra. No entanto, observações posteriores, em fevereiro e abril de 2025, não conseguiram localizar o planeta novamente.
“Essas observações são extremamente desafiadoras, mesmo com o telescópio mais avançado do mundo, porque as estrelas de Alfa Centauri são muito brilhantes e se movem rápido”, disse Charles Beichman, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa e coautor dos estudos, aceitos no The Astrophysical Journal Letters.
O brilho intenso das estrelas, segundo os pesquisadores, pode ofuscar objetos próximos, como planetas. A equipe do Webb precisou criar sequências de observação personalizadas para superar esses obstáculos, um esforço que, segundo Beichman, “valeu a pena espetacularmente”.
A Nasa disse que a equipe usou modelos computacionais para simular milhões de órbitas possíveis, considerando tanto a detecção inicial quanto as não detecções posteriores. “Em metade das órbitas simuladas, o planeta estaria em uma posição onde não poderia ser visto pelo Webb nas datas das observações”, afirmou o coautor Aniket Sanghi.
Próximos passos
Se confirmado, o planeta seria um gigante gasoso, semelhante a Júpiter, com uma massa aproximada à de Saturno e uma órbita elíptica.
Por ser envolto em uma espessa camada de gás, ele não teria condições de abrigar vida como a conhecemos. No entanto, os cientistas estão animados com a possibilidade de que luas em sua órbita possam ser habitáveis, assim como as luas geladas de Júpiter, que são alvos de missões como a Europa Clipper e a Juice.
A Nasa disse que a proximidade do sistema Alfa Centauri oferece uma oportunidade única para estudar exoplanetas. “Se confirmado, esse seria o planeta mais próximo da Terra orbitando na zona habitável de uma estrela semelhante ao Sol”, disse Sanghi.
A zona habitável é a região ao redor de uma estrela onde as condições podem permitir a existência de água líquida, essencial para a vida.
Os astrônomos planejam novas observações com o Telescópio James Webb para confirmar a existência do planeta e obter mais detalhes sobre sua composição, usando uma técnica chamada imagem espectral.
Além disso, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, previsto para entrar em operação em 2027, pode complementar os dados com observações em luz visível, ajudando a entender o tamanho e a refletividade do planeta.
“Se esse planeta for confirmado, ele será um marco na ciência de exoplanetas. Será o mais próximo já fotografado diretamente e o mais semelhante aos gigantes gasosos do nosso sistema solar”, afirmou Sanghi.
“Esse objeto se tornaria uma referência para estudos futuros, com múltiplas oportunidades para caracterização detalhada”, acrescentou Beichman.





