A dependência química é uma doença crônica, que geralmente atinge indivíduos que fazem uso constante de determinadas drogas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), além de um transtorno mental, este é um problema social que afeta a vida psíquica, emocional e física das pessoas.
Desta forma, o combate às drogas demanda uma solução multidisciplinar, desde a prevenção até a reinserção do dependente químico na sociedade. A nova Política Sobre Drogas lançada em junho pelo Governo Federal está sendo implementada em conjunto pelos ministérios da Cidadania, da Saúde, da Justiça e Segurança Pública, dos Direitos Humanos, da Família e Mulher.
A nova política prevê um endurecimento no combate ao tráfico e a ampliação do tratamento aos dependentes. Ao participar de fórum sobre o tema em Blumenau (SC) nesta semana, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, disse que o País enfrenta uma epidemia de consumo de drogas e que é preciso levar informação e conscientizar a sociedade sobre isso. Segundo ele, não houve, nos últimos governos, uma política pública consistente para o enfrentamento do problema. A atuação do governo teria ficado restrita apenas à redução de danos, deixando de lado o tratamento e o apoio à abstinência.
“Abstinência é muito importante. E toda política sobre drogas, a pseudo-política sobre drogas que existia no Brasil até o ano passado, dizia que a abstinência não é uma coisa importante, que o principal era a redução de danos. A experiência baseada em evidências científicas no mundo mostra que se a pessoa não ficar em abstinência, ela não tem condições de voltar para uma vida minimamente produtiva, uma vida de responsabilidade social, familiar”, defendeu.

Segundo ele, um usuário quem fuma 30 pedras de crack por dia, diminuir para 10 pedras não funciona. Mas, sim, a interrupção do uso. “Quando o dependente está já numa situação com o cérebro entorpecido e não consegue mais discernir aquilo que pode e deve fazer, então tem que se fazer uma intervenção”, afirmou.
A organização não governamental Amor Exigente, fundada em 1984, atende 100 mil famílias e dependentes químicos em todas as regiões do Brasil e no exterior, em países como Argentina, Uruguai, México, Itália e Israel.
Comunidades Terapêuticas
Cabe ao Ministério da Cidadania, as campanhas de informação e prevenção às drogas, além da promoção do tratamento e o acolhimento dos dependentes químicos. Ao todo, a pasta financia cerca de onze mil vagas em comunidades terapêuticas – quantidade quatro vezes maior do que a do ano anterior. Para essas vagas, está previsto um investimento neste ano de mais de R$ 153 milhões.
“Nós tínhamos duas mil vagas e a gente aumentou para praticamente 11 mil. Queremos chegar a 20 mil. Porque a população está desassistida. Eu acho que os Caps Álcool e Drogas têm um papel importante, mas não pode ser de falar só em redução de danos. Eles têm que ajudar as pessoas a entrar em abstinência”, ressaltou o ministro da Cidadania, Osmar Terra.
A Lei Sobre Drogas, sancionada esse ano, reconhece as comunidades terapêuticas como parceiras do governo federal no acolhimento e no tratamento de usuários de entorpecentes. A legislação ficou também mais rígida em relação ao tráfico de drogas, além de prever a internação involuntária de usuários para desintoxicação.
O acolhimento nas comunidades deve se dar em ambiente residencial, favorecendo a criação de vínculos a partir da convivência entre os pares com atividades de valor educativo e a promoção de desenvolvimento da pessoa. As comunidades terapêuticas contam com equipes formadas por profissionais das áreas da medicina, psicologia e assistência social.
Caso de Recuperação
Vicente Pereira Miranda tem 59 anos e é aposentado. Há 23 anos deixou de utilizar entorpecentes e álcool. Ele frequenta a comunidade terapêutica Fazenda do Senhor Jesus, na região administrativa de Recanto das Emas, no Distrito Federal. Vicente afirmou que o trabalho na comunidade foi fundamental para a vida que tem hoje.
“A minha saúde melhorou, a minha aparência melhorou, o meu conceito com os vizinhos melhorou demais. A minha autoestima melhorou mais. Eu com 59 anos me sinto bem mesmo, pratico futebol, esporte”.
*Com informações do Ministério da Cidadania





