No Brasil um morre de câncer de pele a cada 3 horas

Entramos no mês do Dezembro Laranja e nele se inicia o período de conscientização para o câncer de pele.

Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), o câncer de pele representa 30% de todos os tumores incidentes no país. Para o biênio 2018-2019 eram esperados em torno de 170 mil novos casos e quase 4 mil mortes por esta doença.

O aumento crescente, ano após ano, de casos novos chama atenção para mais investimentos em prevenção e terapêutica.

Trata-se de uma doença prevenível e com altas taxas de cura, com diagnóstico precoce.

Podemos resumir em dois tipos de câncer de pele mais comuns. Os tumores não-melanomas e o melanoma.

Os não-melanomas são mais comuns em pessoas com mais de 40 anos, indivíduos com pele clara e com história pessoal ou familiar para câncer de pele.

Eles podem ser escamosos que têm origem na camada mais externa da epiderme, ocorrem mais frequentemente em extremidades ou áreas de cicatrizes ou queimaduras, são responsáveis por 20% dos tumores de pele. Podem se disseminar para camadas mais profundas.

Carcinomas Basocelulares, que são originários das células basais da epiderme, são responsáveis por 75% dos tumores cutâneos, têm sua evolução mais lenta, porém podem levar a danos severos e devem ser tratados de forma adequada.

O risco aumentado se dá em pessoas que se expuseram ao sol na infância e adolescência, que tiveram contato com radiações externas e baixa imunidade. Estima-se que 1,9 mil casos de óbitos causados por esse tipo de câncer aconteçam anualmente no país.

O melanoma tem origem nas células chamadas de melanócitos, responsáveis pela cor da pele. Pode aparecer em qualquer parte do corpo além da pele, como mucosas e olho.

Sua principal causa é a exposição solar, bem como câmaras de bronzeamento artificial, além de fatores genéticos. Ele causa mais de 1,7 mil óbitos anualmente no Brasil.

Existem outros tipos de tumores menos comuns, como os linfomas cutâneos de células T e os tumores de células de merkel, que merecem uma atenção especial por parte dos médicos devido ao tratamento multidisciplinar.

Todavia, para se prevenir, é necessária proteção solar com filtros, óculos escuros, camisas, chapéus e protetor labial, principalmente nas crianças e nos adolescentes.

Os sintomas mais comuns para não-melanomas são feridas que descamam, coçam, ardem e sangram. Além de lesões que não cicatrizam em até quatros semanas.

Para o Melanoma, os sintomas são lesões escurecidas novas ou que mudam de aspecto com o tempo apresentando bordas irregulares, aumento do tamanho e cor, e podem coçar e sangrar.

O tratamento na maioria dos casos é curativo com a cirurgia. Retirar a lesão na forma oncológica correta leva à cura na maioria dos casos. Em situações mais graves, além da cirurgia, pode-se usar quimioterapias, imunoterapias, terapias alvo ou radioterapia.

Fique atento a qualquer mudança em sua pele. Procure um profissional habilitado na área e lembre-se de que o tratamento correto inicial leva a um melhor prognóstico.

A campanha Dezembro Laranja de 2019, idealizada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, alerta para os sinais do câncer de pele para que a população esteja atenta aos possíveis sintomas e procure, o quanto antes, um profissional médico em busca do diagnóstico.

A ação já acontece desde 2014 no país e espera arrebanhar o máximo de adeptos, entre profissionais da área de saúde, órgãos públicos e a população em geral para divulgar as estratégias de identificação de sintomas e a procurar por ajuda médica.

* Rafael Sodré Aragão é cirurgião oncológico, mestre em Oncologia e atende na Clínica Oncolog