“NEGRINHA VIRA-LATA”: Jovem diz que foi alvo de racismo cometido por servidora

Prints das mensagens supostamente enviadas por Daiana Ferraz


Em mensagens compartilhadas por whatsapp, Helena Pessoa se diz alvo de insultos racistas supostamente praticados por outra mulher, Daiana Ferraz, bacharel em Direito e servidora pública em Rondonópolis. O caso ocorreu ainda no início do ano, mas somente agora, após postagem em outra rede social, veio a público.

No Portal da Transparência Daiana Ferraz de Oliveira consta como gerente de núcleo de análise de processo, da Secretaria Municipal de Receita. O caso, porém, não tem relação com o funcionalismo. Os insultos foram motivados, confirmam as partes, por questões pessoais.

Em três imagens da suposta conversa, recebidas com exclusividade pelo site Primeira Hora, as palavras demonstram a atitude criminosa. “Negrinha vira-lata”, “manda ela ir trabalhar de doméstica”, “não serve nem para garota de programa, muito feia”. Em outro momento, a acusada se refere a jovem como “povo sujo de vila”.  Na imagem acima, trechos da conversa foram editados para não expor ainda mais os envolvidos.

A vítima diz que registrou, na época dos fatos, boletim de ocorrência online contra a servidora pelo crime de difamação. Não fez, porém, nenhuma representação. Segundo o documento oficial registrado na polícia, as mensagens enviadas por Daiana ao ex-marido (atual de Helena) se somam a uma confusão ocorrida em um estabelecimento comercial. “Eu fico indignada. Antes, onde eu estava esta pessoa fazia barraco e eu sempre fiquei na minha. Agora minha irmã tomou as dores”, conta a jovem.

Foi justamente a irmã quem tornou o caso público em outra rede social. “Em pleno 2020 é lamentável ver alguém tratando uma pessoa de maneira tão preconceituosa, tem preconceito de preto, de pobre, de quem não tem a mesma escolaridade que a dela (a grande maioria dos brasileiros) enfim a ela Daiana Ferraz, expresso todo meu repúdio a pessoas preconceituosas como vc. Já sofri tanto com isso na vida!!! Na irei mais me calar”, diz em trecho da postagem. A publicação repercutiu na rede e recebeu comentários em protesto contra a bacharel em Direito.

Em nota, a Prefeitura de Rondonópolis disse ainda não ter tomado conhecimento do caso. Informa, ainda: “A Secretaria Municipal de Gestão de Pessoas informa que, nesses casos, pode ser aberto um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para avaliar o ocorrido. Como o fato aconteceu fora do ambiente de trabalho não cabe ao município o julgamento, mas se o servidor for contratado com cargo comissionado ele pode ser exonerado a qualquer momento”.

Trecho do B.O. registrado em março pela vítima

Outro lado

A reportagem entrou contato com Daiana Ferraz. Inicialmente, ela justificou o envio das mensagens como uma ação “no calor do momento”. Mais tarde, uma reposta formal chegou pelo mesmo aplicativo de mensagens.

Sua versão dos fatos veio em formato de áudio. No arquivo, não é Daiana quem se posiciona, mas, sim, alguém supostamente representando-a.  Em nenhum momento, rebate a acusação de racismo ou calúnia. Questiona, porém, a autoria da publicidade dada ao caso. “Me parece que ele (o jornalista) está falando de mensagens que teriam sido enviadas ou trocadas no (ambiente) privado. Então, é preciso saber, em primeiro lugar, quem deu publicidade a essas mensagens”, diz. “Tratando-se de uma relação entre ex-marido e ex-esposa, fica realmente aí a busca por este esclarecimento. De onde partiu a publicidade destes textos?”, completa.

Ainda na resposta enviada, quem supostamente representa Daiana Ferraz finaliza: “essas mensagens não foram enviadas à pessoa (Helena), teriam sido ditas em relação a ela, o que é bastante diferente. Você não está afirmando autoria de nada, então não tem que dar esclarecimentos por enquanto”, orienta a acusada o autor do áudio.