Medicamento desenvolvido pela UFRJ ajuda paciente tetraplégico a voltar a andar

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Primeira Hora, com Parque Tecnologócio UFRJ

Tatiana Coelho de Sampaio é chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, do Instituto de Ciências Biomédicas. Foto: FAPERJ

Medicamento desenvolvido pela UFRJ ajuda paciente tetraplégico a voltar a andar

Procedimento experimental desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro já teve testes autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e pode representar avanço no tratamento de lesões medulares

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Um jovem de 24 anos que ficou tetraplégico após um acidente voltou a apresentar movimentos nos braços depois de receber tratamento experimental com polilaminina, medicamento desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O caso é o quinto registrado com recuperação motora após a aplicação do composto.

De acordo com informações do Grupo de Trabalho Intersetorial da Polilaminina no Espírito Santo, o jovem sofreu uma fratura na vértebra C7 e teve lesão medular completa na altura da C4 após mergulhar em uma cachoeira no município de Santa Leopoldina. Em decorrência do trauma, ele ficou tetraplégico.

Segundo o coordenador do grupo, Mitter Mayer, a aplicação do medicamento ocorreu dentro da chamada “janela terapêutica” de até 72 horas após o acidente — período considerado decisivo para ampliar as chances de resposta ao tratamento. Dez dias após a injeção única, o paciente voltou a apresentar movimentos nos braços.

“A força foi reaparecendo onde antes havia apenas ausência”, afirmou o coordenador.

Veja o vídeo:

Pesquisa de 25 anos

A polilaminina é resultado de mais de duas décadas de estudos conduzidos pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A pesquisa tem como base a laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e também extraída da placenta, com potencial de modular o comportamento celular e reorganizar tecidos do sistema nervoso. A partir desse conhecimento, os cientistas desenvolveram uma versão recriada em laboratório, denominada polilaminina, aplicada diretamente na região da lesão medular.

Nos testes experimentais já realizados, pacientes com perda de movimentos em razão de lesões na medula espinhal apresentaram recuperação parcial ou total da mobilidade.

Próximos passos

O tratamento ainda é considerado experimental. Os estudos iniciais já tiveram autorizações regulatórias para etapas preliminares, e o próximo passo é a ampliação dos ensaios clínicos, com acompanhamento regulatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A pesquisa ganhou repercussão nacional e foi destaque em veículos como a Folha de S.Paulo e o Jornal Nacional.

Caso os resultados se confirmem em estudos clínicos mais amplos, a polilaminina poderá representar um avanço significativo no tratamento de lesões medulares, área que ainda possui opções terapêuticas limitadas para recuperação neurológica.

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