Interferências do governo agravam crise fiscal e disparam o dólar no Brasil

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Valter Campanato/Agência Brasil

Interferências do governo agravam crise fiscal e disparam o dólar no Brasil

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Apesar das intervenções do Banco Central, o dólar atingiu uma nova máxima ontem, encerrando o dia cotado a R$ 6,1549. A instituição realizou uma venda extraordinária de US$ 1,63 bilhão no mercado à vista — o maior leilão unitário desde 2020 —, em uma tentativa de conter a valorização da moeda americana. No entanto, os esforços têm sido insuficientes diante das constantes ingerências do governo brasileiro na condução da política econômica.

O cenário de desconfiança foi acentuado pela apresentação de um pacote fiscal que, longe de solucionar os problemas das contas públicas, deve gerar um déficit nominal de 10% do PIB. Essa postura aumenta a pressão inflacionária e alimenta o pessimismo do mercado em relação à capacidade do país de estabilizar sua relação dívida/PIB, que já apresenta tendência de deterioração.

A falta de clareza e compromisso com a responsabilidade fiscal limita os efeitos das ações do Banco Central. Ao restringir o impacto direto do pessimismo sobre a moeda, o mercado transfere suas preocupações para a curva de juros, resultando em alta de 70 pontos base, com o DI para janeiro de 2029 fechando a 15,11%. Essa dinâmica também derrubou o Ibovespa, que encerrou o dia em queda de 0,84%, com 123.560 pontos, refletindo a queda de ações ligadas à economia doméstica.

No plano externo, as declarações do ex-presidente Donald Trump, que acusou o Brasil de impor tarifas excessivas sobre produtos americanos, adicionaram mais tensão ao cenário. Trump sinalizou possíveis retaliações, incluindo tarifas adicionais, ampliando as incertezas para o comércio exterior brasileiro em meio a um cenário interno já delicado.

O contexto atual evidencia como decisões do governo brasileiro têm alimentado a volatilidade no mercado e a disparada do dólar. A ausência de medidas concretas para estabilizar as contas públicas e restaurar a confiança dos investidores ameaça aprofundar ainda mais os desafios econômicos do país.

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