Em meio à crise no IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais uma funcionária foi exonerada da gestão do presidente Marcio Pochmann.
Rebeca de Pallis era coordenadora de Contas Nacionais e estava diretamente envolvida com a revisão de metodologias de cálculo, criação de bancos de dados e atualização de bases históricas. A saída dela ocorreu às vésperas da divulgação do PIB (Produto Interno Bruto), revisado pelo instituto.
Além de Rebeca, a servidora Ana Raquel Gomes, que trabalhava como gerente de Sistematização de Conteúdos Informacionais, foi exonerada em janeiro.
Por meio de nota, o ASSIBGE (Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística) informou que a decisão deveria ter ocorrido de forma mais “cuidadosa”, com prioridade para a continuidade dos programas de trabalho e a preservação institucional.
O sindicato acrescentou que “a exoneração abrupta ocorreu em meio a projetos críticos em andamento, nos quais a coordenadora tinha papel operacional direto”.
O R7 entrou em contato com o IBGE para pedir posicionamento sobre as exonerações e aguarda resposta.
Entenda o caso
A crise interna no instituto se estende há um tempo. No ano passado, a suspensão das atividades da IBGE+ (Fundação de Apoio à Inovação Científica e Tecnológica do instituto) — voltada ao desenvolvimento da instituição e à ampliação das fontes de recursos —, gerou embate com os servidores.
A exoneração de Ana Raquel Gomes também levou a críticas à atual gestão do IBGE. Entre as mencionadas pelo ASSIBGE estão: falta de respeito e de diálogo institucional; inexistência de processos de transição adequados; e desvalorização do acúmulo técnico-histórico da instituição em favor de ações com caráter predominantemente midiático.
Com a situação, representantes do sindicato se reuniram com a Secretaria-Geral da Presidência da República para debater os impactos na produção de dados oficiais e os desafios enfrentados pelos trabalhadores do instituto.
“A assessoria do ministro Guilherme Boulos ouviu atentamente as informações, recepcionou a documentação sobre os fatos relatados e solicitou mais conteúdo para aprofundar as questões”, destacou o sindicato.
O coletivo de trabalhadores pontuou, ainda, que “a ausência de fundamentação e de um plano de transição, em um contexto marcado por sucessivas exonerações, acende um sinal de alerta e fragiliza equipes sobrecarregadas pela escassez de pessoal”.





