Homem tenta se divorciar após esposa recusar doar fígado, mas Justiça nega

Picture of R7

R7

Freepik

Homem tenta se divorciar após esposa recusar doar fígado, mas Justiça nega

Tribunal reconhece que a doação é escolha pessoal e atribui ao companheiro a responsabilidade pelo rompimento

Compartilhe:

Um homem tentou se divorciar após a esposa ter recusado a doar parte do seu fígado para salvá-lo. O caso ocorreu na Coreia do Sul e foi revelado pelo canal de TV SBS.

A Justiça local, porém, negou o pedido do marido e alegou que doação de órgãos faz parte do direito de autodeterminação sobre o próprio corpo e, por isso, a decisão da mulher não pode ser considerada como causa direta do fim de um casamento. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

Segundo a reportagem da SBS, o marido havia sido diagnosticado com uma doença rara no fígado e recebeu um prognóstico de apenas um ano de vida. A esposa foi avaliada como doadora compatível, mas recusou a cirurgia.

Ela alegou sofrer de uma fobia extrema a agulhas e objetos cortantes, dizendo que sequer conseguia olhar para uma seringa. Apesar de não aceitar a operação, manteve os cuidados com o marido durante o tratamento. Ainda assim, ele passou a tratar a dedicação da esposa como “hipocrisia”, com ofensas, e familiares dele também a acusaram de querer assistir à morte do companheiro.

No meio do conflito, surgiu um doador em morte cerebral, e o paciente conseguiu realizar o transplante. Recuperado, o homem passou a desconfiar que a fobia da esposa não era real. Após ser confrontada, ela admitiu ter mentido sobre o transtorno, mas afirmou que o medo de complicações cirúrgicas e a preocupação com as filhas pequenas pesaram na decisão.

O marido, entretanto, não aceitou a explicação e perguntou se a vida dele não importava para ela. Em seguida, entrou com o pedido de divórcio, alegando que a recusa ao transplante representava abandono e violação de deveres conjugais.

A corte, porém, rejeitou o argumento. Para os juízes, a recusa em doar parte de um órgão não pode ser vista como culpa exclusiva pela ruptura do relacionamento. A decisão também destacou que, como mãe de crianças pequenas, a mulher tinha receios legítimos sobre os riscos à própria saúde.

Mesmo após o primeiro julgamento, o casal seguiu em conflito até chegar a um acordo para se separar. Em um segundo processo, destinado a definir a responsabilidade pelo fim da união, a Justiça novamente deu razão à esposa.

O tribunal concluiu que o fator determinante para a quebra de confiança não foi a negativa ou a mentira, mas a pressão e as agressões verbais do marido ao tentar forçar a doação. A sentença apontou que ele é o principal responsável pelo fim do casamento.

Deixe um comentário

[gs-fb-comments]

Veja Também