Grupo resgata cão que vivia havia 4 meses em gaiola em pet shop

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Sensibilizados com a história de um filhote de buldogue francês que morava havia quatro meses em uma gaiola em um pet shop em Brasília, um grupo de fãs da raça decidiu fazer uma vaquinha para comprar o animal. Mais de 60 pessoas contribuíram com a iniciativa, que rendeu R$ 2,2 mil. O cão, que tem 6 meses de vida e foi batizado de Ryan em alusão ao filme “O resgate do soldado Ryan”, foi sorteado entre os participantes e acabou ficando com o supervisor de informática Flávio de Arruda Ribeiro. Coincidentemente, havia sido o homem que denunciou para as outras pessoas a situação do cachorro.

“Vislumbrei o Ryan em novembro de 2014. Como criador de buldogue [ele já tinha o cachorro Rambo] me senti ruim em ver um ser tão amável, tão pequeno, estando ali em um aquário, servindo de pequeno objeto de desejo de várias outras pessoas”, conta Ribeiro. “Nosso objetivo é adotar esse pequeno e dar amor, carinho e um lar.”

O supervisor de informática lembra que logo após ver o animal dividiu o desconforto em uma rede social com colegas do grupo de criadores de bulldog francês de Brasília. A foto do bicho circulou entre os 330 membros, que se compadeceram do caso. A situação ficou “esquecida” até que, meses depois, outros dois membros viram o cão no mesmo lugar, na mesma situação.

Um dos integrantes sugeriu então que o grupo fizesse a vaquinha para comprar o cachorro, que na época era anunciado por R$ 5 mil. O acordo era formular um termo de adoção feito junto a um advogado para que a pessoa que ficasse com ele o castrasse, nunca o vendesse e soubesse que, em caso de maus-tratos, ele poderia ser devolvido.

Administradora da organização, a dona de casa Camila Lucena lembra que a mobilização ganhou força, e pessoas do país inteiro decidiram colaborar. “A gente do grupo ficou muito sentido por ele estar há quase cinco meses morando em um aquário preso, sem um lar, sem amor, sem carinho. Mesmo que a loja cuide, não é a mesma coisa. A gente do nosso clube não é a favor desse tipo de mercado, de venda de animais em pet shops, feiras. Ryan foi um caso à parte, a gente só resgatou ele porque ele estava havia muito tempo lá. A gente não tem intenção nenhuma de alimentar esse tipo de mercado. Esse tipo de ação a gente não vai fazer mais.”

Camila foi pessoalmente ao pet shop no dia 13 de março deixar um cheque-caução. No dia seguinte, reuniu outros 40 membros do grupo que levaram os respectivos buldogues para “resgatar” o cão. Havia 25 interessados em ficar com Ryan, mas Ribeiro acabou sendo o escolhido.

“Foi muita coincidência mesmo. Acho que é daquelas histórias que a gente acredita que estão escritas mesmo. Tinha que ser. A primeira sorteada foi uma moça, mas ela ia dar o cachorro para uma prima, e a gente já tinha combinado que ele seria de alguém do grupo. Queríamos alguém que a gente tivesse contato, que a gente pudesse ter notícias dele diariamente, ter certeza que ele estaria bem”, diz a dona de casa. “Um cachorro tão bonito, que ficou lá tanto tempo. Era quase R$ 5 mil que estavam pedindo. Eles abaixaram porque viram que não venderiam.”

O supervisor de informática Flávio Arruda diz que sentiu um misto de alegria, surpresa e emoção ao ser o escolhido. Pai de duas meninas, ele afirma que a família recebeu com alegria a notícia de que abrigaria mais um cão.

“Se minha alegria era tanta, elas ficaram em êxtase. Hoje a maior tem carinho com os dois e se identifica com o Rambo, e a mais nova deita com ele [Ryan], quer abraçá-lo, beijá-lo. Enfim, é muito carinho”, conta.
O homem diz acreditar que o grande tempo vivendo dentro da gaiola contribua para o fato de que o cão tenha medo de subir e descer escadas. Além disso, assusta-se com facilidade e teme barulhos de motos, carros e outros latidos.

Novas ações
Camila Lucena afirmou que os membros do clube estudam criar um grupo chamado “Amigos do Ryan” para apoiar ONGs de proteção animal por meio de repasses financeiros e doação de ração e remédios. Mãe de uma menina de 11 meses, ela tem um casal de buldogues.
“Muita gente me questionou quando eu estava grávida se eu teria um bebê com dois cães em apartamento. Falei que sim, e hoje eles são as babás da minha filha. Minha filha é louca por eles, e eles por ela”, disse.

Membros do grupo de rede social que 'resgataram' o cão Ryan em pet shop de Brasília (Foto: Clube do Bulldog Francês de Brasília/Arquivo Pessoal)