Governo Federal freta voo para trazer 159 brasileiros do Equador

No grupo, estão incluídos dez integrantes da delegação de natação paralímpica nacional, além de nove atletas e um técnico

Registro da equipe brasileira em Cuenca, no Equador. Foto: Arquivo pessoal

O Governo Federal fretou um voo para buscar, nesta segunda-feira (30), 159 brasileiros do Equador, que ficaram retidos na capital Quito devido a restrições no espaço aéreo daquele país decorrentes da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A previsão é de que o grupo chegue a São Paulo na madrugada do dia 31.

No grupo, estão incluídos 10 integrantes da delegação de natação paralímpica nacional, além de nove atletas e um técnico. A equipe embarcou para o Equador no dia 3 de março para um período de treinamento na altitude de 2.560 metros de Cuenca. O objetivo era melhorar os índices para o Open Internacional de Natação, que seria realizado no Centro de Treinamento Paralímpico de São Paulo entre 26 e 28 de março. A competição era uma das oportunidades para obtenção de índices para os Jogos Paralímpicos de Tóquio, no Japão.

Oito dos nove atletas que estão no Equador são ou já foram integrantes do Bolsa Atleta, programa da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania.

De lá para cá, muita coisa mudou, no Brasil e no mundo. A competição no CT de São Paulo foi cancelada em função das restrições impostas pela pandemia. Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio foram adiados. O espaço aéreo do Peru foi fechado para pousos e decolagens e o retorno dos brasileiros, originalmente marcado para 21 de março, com escala em Lima, não pôde ser feito.

“Foi tudo muito rápido. A gente teve a informação de que o espaço aéreo no Peru seria fechado para voos internacionais em 15 de março. Tentamos antecipar o voo, mas o valor por pessoa era alto. Não havia possibilidade. Nesse meio tempo, o Aeroporto de Cuenca, no Equador, que só faz voos locais, fechou também. Não tinha como a gente chegar a Quito. Com o auxílio do consulado brasileiro, fomos de van até a capital. Quase nove horas de estrada”, narrou Antonio Luiz Duarte Cândido, técnico da equipe de natação.

Na capital equatoriana, o grupo passou a ter, além do suporte da diplomacia brasileira, auxílios do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e da prefeitura de Indaiatuba para hospedagem e alimentação. “O Equador trabalha com dólar e isso fez o custo aqui ficar alto. Tentamos ajuda de muitas pessoas”, comentou o atleta Victor Viana, um dos integrantes da delegação, em vídeo que viralizou nas redes sociais.

Para o secretário Especial do Esporte, Marcelo Magalhães, o Governo Federal foi proativo na situação. “Não é fácil. Tem as burocracias do Equador que precisam ser cumpridas. O Equador está com toque de recolher depois das 14h, uma situação de isolamento. É uma operação desafiadora e só temos a agradecer a todo o empenho federal para trazer todos de lá”, completou.

No Twitter, o Ministério das Relações Exteriores publicou no domingo (29) que é a primeira vez que o Itamaraty freta aviões para repatriação de brasileiros retidos compulsoriamente no exterior. “Crise nova, soluções novas. O voo que trará os brasileiros levará equatorianos de volta para casa, em demonstração de ação internacional solidária”, indicou a postagem.

Ao todo, há ainda cerca de sete mil brasileiros a repatriar mundo afora. A prioridade federal tem sido pelos locais onde não há voos comerciais em operação, caso do Equador.

Volta para casa
Em função do toque de recolher adotado no país, todos os brasileiros devem se apresentar no Parque La Carolina, ponto de encontro para o traslado, impreterivelmente até as 12h30. O site da Embaixada do Brasil em Quito reúne todas as informações necessárias para os brasileiros interessados no voo que virá ao Brasil.

portal do Ministério das Relações Exteriores também reúne uma série de informações e serviços para brasileiros que estejam fora do país e precisando de auxílio para retornar.