Nessa segunda-feira (31) celebra-se o Dia Mundial sem Tabaco. A data foi criada em 1987 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar sobre os perigos do tabagismo, que mata mais de oito milhões de pessoas por ano em todo o mundo e aproximadamente 443 pessoas por dia no Brasil. Em 2021, o tema da campanha promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é “Comprometa-se a parar de fumar”.
Em meio à pandemia da Covid-19, os riscos a que os fumantes estão submetidos são ainda maiores. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), devido a um possível comprometimento da capacidade pulmonar, eles possuem mais chances de desenvolver sintomas graves da doença.
O médico Arlan de Azevedo Ferreira, pneumologista pediátrico e servidor de carreira da ALMT, explica que a fumaça do cigarro contém gases tóxicos e partículas que lesionam o sistema de proteção natural das vias respiratórias facilitando a entrada e proliferação da Covid-19 e de outros vírus, bactérias e fungos. Além disso, o hábito facilita a contaminação, uma vez que os fumantes precisam retirar a máscara e levam as mãos constantemente à boca.
O cigarro também está associado a doenças respiratórias como asma, enfisema pulmonar, bronquite crônica, doença pulmonar obstrutiva Crônica (DPOC) – responsável pela morte de cerca de 40 mil pessoas por ano no Brasil – e diversos tipos de câncer.
Narguilé e cigarros eletrônicos– Arlan de Azevedo chama a atenção para a utilização de narguilé e cigarros eletrônicos, principalmente por crianças e adolescentes. Segundo ele, o consumo desses produtos é tão prejudicial quanto do cigarro comum.
“O hábito de usar o narguilé e os cigarros eletrônicos não é tão repreendido pelos pais e está sendo aceito socialmente, no entanto causa muito mal, porque além de todos os malefícios da fumaça em si, eles acabam sendo compartilhados com outras pessoas e isso facilita a transmissão, não só do coronavírus, como de outras doenças, como herpes e hepatite C”, afirma.
No caso do narguilé, o médico lembra que são incluídas substâncias aromatizantes, que podem causar mais prejuízos somadas às demais existentes no produto. Já o cigarro eletrônico, segundo ele, é causador de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) ainda mais séria do que a ocasionada pelo coronavírus.
Relato de quem venceu a luta contra o cigarro – Ator, doutor em história e escritor cuiabano, Ivan Belém fumou durante 45 anos e há um ano e oito meses desfruta dos benefícios de ter largado o vício, que o acompanhou desde os 15 anos de idade. Segundo Ivan, a dependência era tão grande que, por dia, ele consumia duas carteiras de cigarro e, até mesmo na hora de dormir, tinha que ter um cigarro e um isqueiro ao alcance de suas mãos.
“Eu era do tipo de fumante que não conseguia assistir a um filme no cinema, uma missa, uma palestra, sem ficar saindo a cada 20, 30 minutos para fumar um cigarro. Isso era uma coisa que me incomodava também, sabe?”, conta o ator, que completou 44 anos de carreira em 2021 e interpretou personagens inesquecíveis no teatro mato-grossense, como a Creonice, amiga de infância da comadre Pitú, vivida pelo ator Vital Siqueira.
Apesar do incômodo, Ivan diz que nunca havia pensado em parar de fumar. Entretanto, um sério problema de saúde o fez tomar a decisão que mudaria a sua vida. “Eu cheguei a uma situação-limite em outubro de 2019. Eu estava no Rio de Janeiro e lá eu tive uma crise respiratória. Eu não consegui trocar de roupa que eu me cansava. Eu virava na cama para mudar de posição e me cansava. Eu voltei de lá de cadeira de rodas e lá mesmo, diante dessa situação que eu descobri que era grave, eu decidi que eu não fumaria mais”, lembra.
Agora, o ator busca encorajar outros fumantes a fazerem o mesmo. “Gosto sempre de contar o meu caso, porque eu acho que a conta uma hora chega para o fumante. Eu perdi meu pai por conta de um enfisema pulmonar e eu me sinto bem melhor sem cigarro. Minha vida mudou completamente. Minha pele melhorou, minha autoestima melhorou. Eu estou muito feliz comigo por ter parado de fumar” comemora.





