Entenda os principais pontos do acordo de paz entre Israel e terroristas do Hamas

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Crianças em meio à destruição na Faixa de Gaza, em imagem de fevereiro de 2025 - Divulgação/Mohammed Ibrahim/Unsplash

Entenda os principais pontos do acordo de paz entre Israel e terroristas do Hamas

Plano mediado pelos Estados Unidos prevê cessar-fogo em Gaza, libertação de reféns e retirada parcial das tropas israelenses

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (8) que Israel e o grupo terrorista Hamas chegaram a um acordo para iniciar a primeira fase de um plano de paz em Gaza, após dois anos de guerra.

O entendimento prevê cessar-fogo imediato, libertação de reféns e prisioneiros e retirada parcial das tropas israelenses do território palestino.

O anúncio ocorre dois anos após o ataque do Hamas ao sul de Israel, em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.200 mortos e 251 reféns. Desde então, a ofensiva israelense matou mais de 67 mil pessoas em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, administrado pelo Hamas.

O que foi anunciado

Após três dias de negociações no Egito, mediadas por Estados Unidos, Catar e Turquia, Trump afirmou, em uma publicação na rede Truth Social, que Israel e o Hamas “aprovaram a primeira fase do Plano de Paz”.

No post, o republicano disse que “todos os reféns serão libertados muito em breve” e que Israel retirará suas tropas para uma linha acordada. Segundo ele, esse é o primeiro passo “em direção a uma paz forte e duradoura”.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou o acordo como “um grande dia para Israel” e disse que o governo votaria o texto nesta quinta-feira (9). Israel estima que 48 reféns ainda estejam em Gaza, 20 deles possivelmente vivos.

O Hamas confirmou o entendimento e declarou, em um comunicado, que ele “acabará com a guerra em Gaza”, permitirá a entrada de ajuda humanitária e prevê a troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos.

A proposta faz parte de um plano de 20 pontos apresentado por Trump no último dia 29 de setembro e aceito parcialmente pelo Hamas. A medida é considerada o maior avanço diplomático até agora na tentativa de encerrar o conflito.

Quando o cessar-fogo entra em vigor

O Egito afirmou, por meio da emissora Al-Qahera News, afiliada ao governo, que o cessar-fogo entraria em vigor às 6h (no horário de Brasília) desta quinta-feira. O gabinete de Netanyahu, no entanto, disse que a trégua só começará após a ratificação do governo israelense, prevista para o meio-dia, segundo a agência de notícias Reuters.

Assim que o acordo for aprovado, Israel deve retirar suas tropas de parte de Gaza em até 24 horas, e o Hamas deverá libertar os reféns vivos em até 72 horas. A libertação está prevista para domingo (12) ou segunda-feira (13), segundo fontes israelenses.

Em troca, Israel deve libertar 250 prisioneiros condenados à prisão perpétua e 1.700 palestinos detidos após o ataque de 2023.

Reações de Israel e Hamas

Netanyahu agradeceu a Trump “por sua dedicação à missão sagrada de libertar os reféns” e afirmou que o país seguirá “buscando a paz com os vizinhos”.

Já o Hamas declarou que o acordo “encerra a ocupação”, “garante ajuda humanitária” e “prevê troca de prisioneiros”. O grupo agradeceu ao Catar, Egito, Turquia e aos EUA pela mediação e disse que “não abandonará os direitos nacionais do povo palestino”.

O que ainda não está claro

O plano apresentado por Trump deixa vários pontos em aberto. Entre eles, o desarmamento do Hamas – algo que o grupo rejeita antes da criação de um Estado palestino – e o futuro governo da Faixa de Gaza.

O projeto norte-americano propõe que a região seja administrada temporariamente por um “comitê palestino tecnocrático e apolítico”, antes de passar à Autoridade Palestina. Netanyahu, no entanto, opõe-se a essa possibilidade.

Há também resistência interna em Israel. Membros ultranacionalistas do governo, que defendem a reconstrução de assentamentos judaicos em Gaza, devem votar contra o acordo, de acordo com a rede britânica BBC.

O que pode acontecer depois

A próxima fase do plano prevê a criação de um organismo internacional liderado pelos EUA, com participação do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, para administrar Gaza no pós-guerra, segundo a Reuters.

Países árabes como Egito e Arábia Saudita apoiaram o acordo, dizendo que ele representa um passo importante rumo à paz e à criação de um Estado palestino. Trump descreveu o pacto como “um momento histórico e um caminho para a paz duradoura” no Oriente Médio.

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