Endometriose e Disbiose Intestinal: qual a relação?

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Giovana Fortunato

Endometriose e Disbiose Intestinal: qual a relação?

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A endometriose é uma doença ginecológica inflamatória dependente de estrogênio, representada pela migração do tecido endometrial para fora do útero. Pode se manifestar através de sintomas ginecológicos, mas, também, pode apresentar sintomas em outros sistemas do corpo da mulher. Sendo que um dos mais frequentes é o trato gastrointestinal (TGI).

Recentes avanços no diagnóstico da endometriose têm demonstrado uma ligação com a disbiose, o que significa um desequilíbrio da microbiota intestinal (Microbiota é definido como um grupo de microrganismos que vivem no nosso organismo).  Isto é, quando o número de bactérias patogênicas (“bactérias do mal”), que fazem mal para o organismo, é superior ao número de “bactérias do bem”, que nos ajudam tanto no nosso metabolismo como na nossa função imunológica.

A microbiota intestinal tem uma importância grande no funcionamento do corpo, nos processos metabólicos e na resposta imunológica.

Este desequilíbrio pode estar ligado à endometriose por causar desregulação no sistema imunológico, que pode progredir para um estado crônico de inflamação e criar um ambiente propício ao aumento de aderências pélvicas e formação de vasos, o que pode conduzir o ciclo vicioso do início e progressão da doença.  A microbiota endometriótica tem sido consistentemente associada à diminuição de Lactobacilos e aumento de bactérias vaginais e outros patógenos oportunistas. Possíveis explicações para o surgimento e a manutenção da endometriose podem estar relacionadas ao desequilíbrio da microbiota intestinal.

Estudos recentes demonstraram a capacidade da endometriose de induzir alterações na microbiota. Poderíamos então começar a estudar  estratégias de diagnóstico, bem como tratamentos com antibióticos ou probióticos. Várias hipóteses foram levantadas para explicar o efeito da disbiose na evolução da endometriose.  

É provável que o microbioma, especialmente em estado de disbiose, possa contribuir para a ativação imunológica, que fortalece e prolonga a inflamação peritoneal e acaba promovendo o surgimento da endometriose. Isso sugere que a modulação da microbiota intestinal através do uso de probióticos pode ser uma estratégia promissora para gerenciar a endometriose. Os probióticos podem ajudar a reequilibrar a microbiota intestinal, o que, por sua vez, pode ter um efeito benéfico na redução da inflamação associada à endometriose.

Os probióticos, por outro lado, são bactérias benéficas que, quando ingeridas em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro. Eles podem ser encontrados em alimentos fermentados como iogurte, kefir e chucrute, ou como suplementos. 

O equilíbrio desses microrganismos é fundamental para a manutenção de uma boa saúde. No entanto, é importante ter cuidado ao escolher um suplemento probiótico, pois nem todos são criados iguais. É aconselhável procurar produtos que contenham cepas de probióticos com pesquisa comprovada para benefícios na saúde feminina, e consultar um profissional de saúde para orientação sobre o produto mais adequado.

Em conclusão, o papel dos probióticos na endometriose é um campo de pesquisa empolgante que oferece novas possibilidades para a gestão desta condição desafiadora.

Através do cuidado da microbiota intestinal, é possível que as mulheres com endometriose encontrem maneiras adicionais de controlar seus sintomas e melhorar sua qualidade de vida.

Dra. Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, docente do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do HUJM e especialista em endometriose e infertilidade no Instituto Eladium, em Cuiabá (MT).

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