Embrapa e representantes do setor agropecuário discutem desenvolvimento do Pantanal

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Em reuniões realizadas com a diretoria do Sindicato Rural de Corumbá (MS), a chefia da Embrapa Pantanal dialogou sobre parcerias entre as entidades. Temas como as definições de limites do Pantanal, a legislação que regula o uso das terras no bioma e a realização de eventos em conjunto estão em pauta nas discussões. A mais recente delas abordou a melhoria do acesso ao Pantanal da Nhecolândia por meio do cascalhamento da estrada na região.

“Nossa conversa buscou um bom senso entre o desenvolvimento econômico e a proteção, a sustentabilidade do Pantanal. Acho que isso está muito claro para o setor produtivo de Corumbá. Essas pessoas entendem, realmente, a demanda do mercado nesse sentido. Temos que buscar alternativas para tornar viável – nas esferas econômica, ambiental e social – esse desenvolvimento sustentável”, diz o pesquisador e chefe-geral da Embrapa Pantanal, Jorge Lara.

De acordo com Lara, as conversas abordaram também a aproximação entre a unidade de pesquisa, o Sindicato e instituições como a Associação dos Criadores de MT e MS (Acrimat e Acrissul) e as Federações de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Famato e Famasul, respectivamente). Para o presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Luciano Leite, um dos principais objetivos da articulação entre as instituições busca enriquecer a discussão a respeito das leis sobre o uso das terras.

“Até 2020, o Código Florestal deve ser revisto. Tivemos reuniões com a Famasul, a Famato, a Embrapa Pantanal e o Sindicato para traçar a forma com que vamos trabalhar nessa questão, a utilização da área de uso restrito do Pantanal. Esta é uma continuação de parcerias que vão fazer com que a gente atue de forma integrada com os técnicos da Embrapa, envolvendo os produtores rurais com a pesquisa. Temos que estar juntos para definir o que é o Pantanal”.

MS e MT

Além das reuniões com as entidades de Mato Grosso do Sul, a Embrapa Pantanal está em contato com representantes da Famato, do Senar e de sindicatos rurais de MT para discutir as demandas do setor agropecuário na porção pantaneira do estado vizinho. “Queremos nos aproximar mais do conhecimento técnico-científico, discutir o que conseguiríamos levar para esses produtores realizarem atividades sustentáveis, buscar o desenvolvimento e permanecer no bioma – que é muito conservado, com áreas remanescentes de vegetação nativa, mas que precisa ser desenvolvido”, diz Lucélia Avi – gestora do núcleo técnico da Famato.

O licenciamento ambiental da propriedade rural, a produção do novilho precoce, os limites do Pantanal e a Fazenda Pantaneira Sustentável, um software que avalia o grau de sustentabilidade nas propriedades rurais, estão entre os tópicos que despertaram o interesse dessas entidades. “Viemos buscar conhecimento para racionalizar o uso dos recursos naturais, aumentando sua capacidade de produção e aprimorando não só o ponto de vista financeiro da produção, mas o desenvolvimento do estado – buscando manter a natureza conservada no processo”. A fala é de Vicente Falcão, diretor financeiro do Sindicato Rural de Cuiabá (MT).

Lara ressalta que, neste segundo semestre, a Embrapa Pantanal irá trabalhar com a transferência de tecnologias nos dois estados. “Ao mesmo tempo, vamos prospectar novas demandas de pesquisa para que isso oriente a formação do plano de trabalho da unidade”, afirma. “Isso se aplica não só ao setor pecuário, mas a atividades produtivas como apicultura, aquicultura e a comunidades indígenas, grupos de assentamentos, estudantes bolivianos e outros públicos”. Em relação ao cascalhamento da via que dá acesso ao Pantanal da Nhecolândia, Embrapa Pantanal e Sindicato Rural deverão enviar uma carta ao Governo do Estado de MS nas próximas semanas para reforçar a importância da ação.