Drones misteriosos, sabotagem: entenda como guerra híbrida de Putin levará Otan a limite crítico

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Divulgação/Marek Studzinski/Unsplash

Drones misteriosos, sabotagem: entenda como guerra híbrida de Putin levará Otan a limite crítico

Violações de espaço aéreo e ciberataques em aeroportos têm aumentado tensões entre Rússia e países da aliança militar

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A Europa vive nas últimas semanas uma série de incidentes que autoridades e especialistas descrevem como elementos de uma guerra híbrida da Rússia. A estratégia combina sabotagem, drones, ciberataques e violações de espaço aéreo para pressionar países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Incursão de drones

Na Dinamarca, drones não identificados sobrevoaram aeroportos civis e militares por dias seguidos, segundo a polícia local. O aeroporto de Copenhague, o maior da região nórdica, chegou a ser fechado. O aeroporto de Aalborg também interrompeu operações por horas após novos avistamentos.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que o país foi “vítima de ataques híbridos”. Para ela, a Rússia representa “a maior ameaça à segurança da Europa”. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também acusou Moscou de envolvimento, embora sem apresentar provas.

O governo dinamarquês anunciou a compra de sistemas antidrones e afirmou que pode acionar o Artigo 4 da Otan, que prevê consultas formais entre membros quando há risco à segurança.

Ciberataques em aeroportos

Na última semana, hackers atacaram sistemas de check-in e embarque em aeroportos de Londres, Bruxelas e Berlim. Passageiros só conseguiram embarcar em papel, segundo a agência de segurança cibernética da UE (União Europeia).

Especialistas em inteligência ouvidos pelo jornal britânico The Sun dizem que os ataques têm características de sabotagem estatal. Para o analista Anthony Glees, “os planejadores estratégicos de Putin foram os grandes beneficiados”.

Violações de espaço aéreo

Além dos drones, caças russos violaram o espaço aéreo da Estônia, de acordo com autoridades locais. A Otan respondeu enviando jatos F-35 italianos. Polônia e Romênia também relataram incursões e pediram consultas no âmbito do Artigo 4.

Philip Ingram, um ex-oficial da Otan, disse ao The Sun que a Rússia “testa as reações políticas e militares” da aliança. Segundo ele, Moscou utiliza as ações para explorar possíveis brechas de defesa.

Reação da Otan

A Otan afirmou que derrubará aeronaves russas que violarem seu espaço aéreo. Moscou respondeu dizendo que uma ação do tipo significaria “guerra”. O embaixador russo na França, Alexey Meshkov, negou qualquer participação em ataques de drones ou violações.

A rádio francesa RFI informou que a aliança também tem intensificado testes para proteger sinais de GPS, frequentemente alvo de interferência. Startups europeias estão sendo acionadas para desenvolver novas tecnologias de defesa nesse sentido.

No sábado (27), durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), o chanceler russo, Sergei Lavrov, negou qualquer envolvimento de Moscou. Ele afirmou que “a Rússia é acusada sem provas” e que qualquer agressão será respondida de forma “decisiva”.

Ao mesmo tempo, dez países da UE discutem a criação de um “muro antidrones” para proteger fronteiras. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o bloco já reservou € 6 bilhões para um acordo de drones com a Ucrânia.

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