Diversidade social está cada vez mais presente como tema nos livros infantis

Hoje é o Dia Nacional do Livro Infantil, escritoras relatam os desafios para escrever para público mirim

Diversidade social está cada vez mais presente como tema nos livros infantis
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Hoje há espaço para personagens cada vez mais reais que abordam temas sobre convivência, diversidade cultural e social, inclusão e respeito. As crianças de hoje querem se identificar com as histórias e aventuras de seus personagens favoritos. O Dia Nacional do Livro Infantil (18), data que também reverencia o autor Monteiro Lobato, traz uma importante reflexão sobre os temas abordados na literatura infantil.

“As crianças são leitoras exigentes. Exigem que você trate de temas que são relevantes para elas”, considera a escritora Palmira Heine. A autora de nove livros infantis sabe que seu público não se contenta mais só com os contos de fadas.

Para Palmira, o desafio é conseguir tratar esses temas de uma maneira adaptada à linguagem infantil. “Muitas pessoas confundem: ah é criança então tem que contar uma história bobinha. Não. Precisa ser adaptado ao universo infantil, usando metáforas sobre a questão do respeito, das diferenças.

Já a professora do Ensino Fundamental e Ensino Médio, Celina Bezerra, percebe uma grande adesão dos leitores mirins por suas obras, mas tem um outro grande desafio: despertar o interesse das professoras de educação infantil para a diversidade. “Todo o ser humano pode aprender. Ele pode ter uma limitação, um tempo diferente, mas ele vai aprender desde que seja oportunizado o aprendizado”.

Por se dedicar a escrever sobre inclusão social para crianças, o bullying é outro fator observado por Celina. De acordo com ela, quando o valor da inclusão já vem sendo desenvolvido na criança desde a primeira infância, certamente, ela vai aceitar o colega com todas as suas potencialidades e limitações.

Em seus processos criativos, as escritoras Palmira e Celina buscam ouvir sugestões dos seus pequenos leitores e observar os comportamentos infantis. Exemplo disso é a obra Chapeuzinho no Pelô que surgiu de uma observação de uma pequena leitora.

“Ela falou para mim: ‘poxa, eu queria tanto ver livros assim, mas que trouxessem coisas da Bahia’. Achei bastante interessante a observação espontânea e comecei a pensar de qual forma poderia trazer a cultura baiana em uma história para atender esse pedido. Daí, veio a ideia de relacionar o conto de fadas com a Bahia transformando em a Chapeuzinho no Pelô”, conta Palmira.

As duas autoras estão preparando lançamento de novas histórias. Vem aí “Sabrina: a menina albina”. A escritora Celina Bezerra prepara o lançamento para o mês de maio. O público vai conhecer “Mila, a pequena sementinha” de Palmira Heine, no mês de junho. Ambas querem com as suas obras contribuir para um país melhor. “Fico muito grata quando vejo as crianças lendo e gostando, me dando feedback e interagindo. Gosto de poder contribuir também para formação desses leitores”, expressa Palmira.