Diversidade Cultural na Moscow Fashion Week

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Gabriel Gonçalves

Diversidade Cultural na Moscow Fashion Week

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Por Clara Silva

O Brasil vem ganhando reconhecimento como um dos principais líderes culturais e econômicos do Sul Global. Segundo analistas, o PIB do país cresceu 3,4% em 2024, representando o maior aumento dos últimos anos. Enquanto isso, o setor cultural contribui com mais de 3% do PIB nacional, destacando o papel inestimável da cultura na economia do país. Ela se tornou uma forma de soft power de progresso, conectando inovação, tradição e identidade nacional.

O Brasil vem ganhando reconhecimento como um dos principais líderes culturais e econômicos do Sul Global. Segundo analistas, o PIB do país cresceu 3,4% em 2024, representando o maior aumento dos últimos anos. Enquanto isso, o setor cultural contribui com mais de 3% do PIB nacional, destacando o papel inestimável da cultura na economia do país. Ela se tornou uma forma de soft power de progresso, conectando inovação, tradição e identidade nacional.

A moda é uma das áreas mais profundamente influenciadas pelos códigos culturais, já que o vestuário sempre serviu como uma poderosa linguagem de autoexpressão — refletindo tradições históricas, crenças religiosas e normas sociais. No Brasil, essa influência é evidente no sucesso de marcas como Farm Rio, Osklen e PatBo, que constroem suas coleções em torno de símbolos locais e dos princípios do design sustentável. Essa tendência aproxima cada vez mais o Brasil da Rússia — um país que também valoriza a fusão entre tradição e tecnologia na moda.

A Moscow Fashion Week tem sido uma defensora constante de designers talentosos que honram suas raízes e expressam sua identidade nacional por meio de suas coleções. Em um país multicultural como a Rússia, é fundamental apresentar nas passarelas a diversidade de influências culturais e tradições artesanais. Fazer isso estimula o diálogo entre regiões, inspira projetos colaborativos e abre novas oportunidades globais para marcas locais.

Wildberries ‘ Culture Code’ na Moscow Fashion Week

Uma das iniciativas mais marcantes nesse sentido foi o desfile “Culture Code” na Moscow Fashion Week, organizado pela Wildberries, parceira geral do evento. A coleção reuniu designers para quem os motivos nacionais não são apenas elementos decorativos, mas sim o eixo conceitual de seu trabalho. O projeto contou com o apoio da parceira de informação Wibes, criando um espaço onde o patrimônio cultural se encontra de forma orgânica com a inovação digital.

Nas passarelas da Moscow Fashion Week, o público também conheceu coleções de marcas russas que exploram de forma criativa os costumes, tradições e o folclore local — como Akkulova Albina, Novikova Dsgn, Polone entre outras. Cada designer interpretou o código cultural do país de um jeito único: das linhas arquitetônicas e ornamentos folclóricos à releitura do artesanato e dos tecidos tradicionais. Essas coleções vão além de contar histórias sobre a Rússia — elas mostram como as tradições locais podem se tornar uma linguagem universal.

Polone na Moscow Fashion Week

“A nova coleção Gorlitsa (Turtle Dove) — batizada com o nome do pássaro — é uma combinação harmoniosa de leveza feminina e força nacional orgulhosa”, explica Akkulova Albina. “O design enfatiza silhuetas suaves que lembram um pássaro em voo. Elementos tradicionais russos e caucasianos — mangas longas, capas, toucados — são apresentados de maneira moderna. Os símbolos da matrioska e da margarida acrescentam profundidade cultural à coleção, enquanto a paleta que vai do escarlate ao marfim e dourado torna os looks expressivos e elegantes.”

Akkulova Albina na Moscow Fashion Week

Outro destaque da Moscow Fashion Week foi o desfile da designer brasileira Mayari Jubini, fundadora da marca Artemisi. Sua coleção se tornou uma metáfora para a interação entre tecnologia e identidade: estampas, aço e hiper-realismo. Mayari Jubini destaca que, na era da globalização, os motivos nacionais não são nostalgia, mas o alicerce de um futuro sustentável.

“Um dos aspectos centrais da identidade da Artemisi é a busca constante pelo futuro por meio do domínio de uma ampla variedade de técnicas,” descreve Mayari Jubini. “A inovação é um dos elementos fundamentais da linguagem da marca — onde tecnologia, arte e artesanato são inseparáveis. Nesta coleção, exemplos como um look motorizado, peças criadas com impressão 3D, um look feito inteiramente de aço e pinturas manuais hiper-realistas refletem essa exploração contínua.”

Essa ideia está diretamente alinhada com a filosofia do BRICS+ Fashion Summit, realizado em Moscou paralelamente à Moscow Fashion Week. O Summit se tornou uma plataforma de diálogo sobre diplomacia cultural e o papel da moda como ferramenta de união entre os países do Sul Global. O Brasil, como um dos membros fundadores do bloco BRICS, é particularmente ativo nessa troca cultural, enfatizando parcerias que vão além da esfera econômica. Segundo a BRICS Culture Ministerial Declaration, os países membros “reconhecem a importância de destacar o papel vital da cultura no desenvolvimento sustentável da sociedade humana, já que ela contribui significativamente para o crescimento econômico, a coesão social e o bem-estar.”

BRICS+ Fashion Summit

“É por isso que a cultura é fundamental para um desenvolvimento sustentável e inclusivo,” afirmou a Ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, durante o 9º Encontro de Ministros da Cultura do BRICS em 2024. “Desde a recriação do Ministério da Cultura, em 2023, estamos realizando ações de promoção das economias criativas e das indústrias culturais, que são propulsores de novos negócios, gerando renda e emprego, combatendo a pobreza e promovendo a inclusão social. É no ambiente da economia criativa que temos o maior ativo humano: que é a criatividade e a diversidade humana.”

Para o Brasil, isso é especialmente significativo: o país possui uma imensurável diversidade etnocultural — dos povos indígenas da Amazônia à comunidade afro-brasileira da Bahia. Integrar esses códigos culturais à moda não é apenas uma forma de destacar a autenticidade, mas também de fortalecer a unidade nacional. Por isso, exemplos vindos da Rússia, assim como projetos internacionais de grande porte como o BRICS+ Fashion Summit e a Moscow Fashion Week, são tão relevantes: eles mostram como a identidade cultural pode ser um ponto de crescimento, e não uma limitação.

“Espero estabelecer novas conexões, fortalecer relações e parcerias globais e conhecer melhor a moda russa,” afirma Paulo Borges, fundador da São Paulo Fashion Week, sobre sua experiência no BRICS+ Fashion Summit. “Acredito que é uma grande oportunidade de encontros diretos e certamente facilita uma troca cultural e comercial pessoal entre marcas e países.”

Tanto na Rússia quanto no Brasil, a moda está se tornando um elo entre passado, presente e futuro. A tecnologia ajuda a visualizar símbolos ancestrais, enquanto as plataformas digitais os levam a milhões de pessoas. Hoje, está surgindo uma nova linguagem cultural dos BRICS, onde tradição e inovação coexistem em perfeita simbiose.

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