De mocinho da Globo a zumbi da Netflix: entrevista com Gabriel Canella

Gabriel Canella interpretou o personagem Marcos na série Reality Z, produzido pela Netflix.

Por Cayron Rick Fraga

O ator carioca Gabriel Canella despertou para a arte, ainda adolescente, quando atuou na peça “O Ateneu”, no teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Após essa experiência, fez curso profissionalizante de teatro e, em seguida, ingressou na faculdade de artes cênicas. Carrega em seu currículo de ator várias peças, participações em novelas globais, filmes e até séries, com destaque para Reality Z (exibida na Netflix), adaptação de Dead Seat (2008), minissérie britânica escrita por Charlie Brooker, o mesmo criador de Black Mirror.






Gabriel, como você iniciou sua carreira de ator na TV e no audiovisual?

Eu sempre fiz comercial para TV. Participei de três campanhas da Coca-Cola. Fui chamado para fazer uma participação no último capítulo da novela global “Alma Gêmea”. O autor Walcyr Carrasco gostou do meu trabalho e me convidou para um teste em outra novela, “O Profeta”, na qual fui indicado como ator revelação. Também participei da novela “Tapas & Beijos” e “Êta Mundo Bom!”. No cinema, além do Reality Z, também participei da série “Encena, O Jogo”, que está disponível na Amazon Prime.

Como foi o convite para participar do elenco da série Reality Z, produzida pela Netflix?

Eu estava em casa e recebi um e-mail escrito em português e inglês e, junto, uma carta do Claudio Torres [diretor de cinema] dizendo que tinha visto meu material. Ele indicou a série Dead Seat para eu assistir e me convidou para um teste de elenco na série Reality Z. Fui para o teste sem saber que se tratava de uma produção Netflix. Assinamos um termo de confidencialidade, pois só era permitido publicar algo sobre a série após a sua estreia. Depois que o teste de elenco é aprovado no Brasil, ele também precisa ser aprovado pelos produtores em Los Angeles [EUA].

Você interpretou o personagem Marcos, um playboy boa pinta com atitudes agressivas e machistas, mas que foi mudando no decorrer dos episódios. Tem um pouco do Gabriel no personagem Marcos?

Acho que todo personagem que vamos interpretar tem que buscar algo dentro de si mesmo. As atitudes mais nobres do Marcos eu busquei no meu lado nobre. Porém, para encenar esse lado mais rude do Marcos, eu frequentei festas e lugares de playboys, conheci e conversei com caras machistas, assisti séries de zumbis e, a partir do método sensorial, fui construindo um passado para o personagem. Essa e outras técnicas, eu utilizo para interpretar personagens.

O ator disse que passou por treinamento corporal e teve que usar lentes para interpretar um zumbi.

A série teve uma temporada composta por 10 episódios, das quais você participou da metade.

Os 5 primeiros episódios foram baseados na série original [Dead Seat]. A partir do sexto foi criação dos autores brasileiros. É como se fossem duas temporadas em uma.

Conta pra gente como são os bastidores de uma gravação de cinema. Como foi sua experiência no Reality Z?

Inicialmente tivemos uma preparação de corpo, onde trabalhamos bastante a construção do zumbi. Junto com a gente tinham os dublês e o preparador corporal. Mas, eu acho que o mais complicado foi a maquiagem, pois ela tinha muitos detalhes. Por exemplo, veias e sangue precisavam aparecer, além de uma lente que era maior que o nosso olho, e eu tenho uma foto sensibilidade grande. Porém, nos bastidores havia um clima muito gostoso, amistoso, divertido entre toda a equipe. A galera que estava trabalhando na maquiagem é a mesma que trabalhou no filme Bacurau. Me senti em casa. Os diretores deixaram a gente bem à vontade durante as gravações para vivermos aquele momento.

A Sabrina Sato também participou do elenco da série. Você chegou a gravar com ela?

Eu não contracenei com a Sabrina, as gravações foram separadas. Mas eu encontrei com ela duas vezes, durante o teste de figurino e na pré-estreia – que foi um encontro virtual – onde a equipe se reuniu e recebeu pipoca e champanhe para comemorar.

Sabrina Sato também fez parte do elenco da série.

E nas redes sociais, como foi a repercussão? Você ganhou muitos seguidores?

Eu nunca recebi tanto direct, não só aqui do Brasil, mas do mundo todo. Foram mensagens em vários idiomas. A série ficou entre as “top 10” em vários lugares do mundo. A Netflix é acessada em 190 países e o Reality Z foi legendado em 30 idiomas. Além do português, temos dublagem em espanhol e inglês.

Você acha que a série é um avanço no gênero horror no Brasil?

Foi a primeira série desse gênero no Brasil. É um marco no audiovisual brasileiro e a gente percebe que temos potencial para fazer produtos diferentes, de forma criativa e com alta tecnologia. Por exemplo, é muito interessantes ver a imagem do Rio de Janeiro todo destruído, o avião caindo. A maquiagem dos zumbis foram muito bem feitas pela equipe brasileira.

Você já havia feito filme de terror?

Eu já havia feito um filme de terror chamado Anima Sola que está circulando em festivais. O filme é baseado na série American Horror Story.

A trilha sonora da série Reality Z foi uma das características que mais me chamou à atenção. Muito bom gosto e muita sincronia. Quem foi o responsável?

O Claudio Torres é um diretor muito culto que aprecia música de qualidade. Ele é super criativo. Criatividade, creio eu, herdada de família [ele é irmão da Fernanda Torres e filho de Fernando Torres e Fernanda Montenegro].

E para finalizar, o Gabriel Canella deixou uma recomendação para quem gosta de TV, cinema, audiovisual e teatro.

Acesse o Instagram do blog Cult Circuito e fique por dentro da dica. Lá você também poderá saber mais sobre a série Reality Z, que foi Top 1 no Brasil durante sua estreia na Netflix.

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Conheça o banner da série Reality Z:

A série está disponível na Netflix.