As estratégias de branding precisam ser revistas periodicamente e, quando necessário, adaptadas para acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor. Conhecer as tendências na área é uma forma de os profissionais se manterem atualizados e preparados para atenderem às novas demandas. Estudos recentes revelam que tecnologia, sustentabilidade e inclusão são aspectos que têm ganhado destaque nesse trabalho.
Mais do que uma identidade visual, a construção de marca envolve reputação, conexão emocional e alinhamento com valores sociais. Segundo pesquisa compartilhada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), realizada pelo Guia de Melhores, 54% dos brasileiros consideram a identidade e o posicionamento da empresa determinantes na decisão de compra.
A preocupação com a sustentabilidade é vista como essencial para 57% dos consumidores, enquanto 50% valorizam marcas com uma identidade visual bem definida. Além disso, 43% priorizam empresas cujos valores estejam alinhados aos seus princípios.
De acordo com a especialista Clara Fagundes, o branding inteligente deve ser artesanal, considerando características como contexto, referências, sentimentos da marca e do público a ser atingido.
“Hoje, é muito mais sobre uma ‘energia’ que a marca tem e transmite, do que sobre os elementos práticos – logo, fonte, paleta”, explica. Para isso, ela destaca que há questionamentos que podem ser feitos. “O que essa marca faz sentir? Em que essa marca acredita? O que ela sempre repete? Que lifestyle ela reforça? O que ela tem de especial, único, estranho?”, exemplifica.
Sustentabilidade e inclusão como prioridades
A preocupação com práticas ambientais e sociais tem influenciado a construção das identidades das marcas. No Brasil, 56% dos consumidores já deixaram de adquirir produtos ou serviços de empresas que não adotam práticas ambientalmente responsáveis, segundo levantamento da Kantar.
Com o fortalecimento da legislação direcionada à sustentabilidade, a expectativa é que as marcas invistam cada vez mais nessa agenda, tanto para atender às exigências do mercado, quanto para evitar riscos reputacionais.
A inclusão também se tornou um fator de valorização. Em outro estudo, intitulado Brand Inclusion Index 2024, a Kantar revelou que 86% dos brasileiros esperam que as empresas promovam a diversidade dentro de suas operações e/ou na sociedade – um índice superior à média global de 75%.
Além do impacto social, a falta de diversidade pode representar perda financeira. Segundo a pesquisa, marcas que não direcionam estratégias para grupos como a comunidade LGBTQIAPN+, mulheres, pessoas pretas e pardas e pessoas com deficiência podem estar deixando de acessar um mercado potencial de R$ 1,9 trilhão.
Por outro lado, a contratação de uma consultoria de branding, que irá definir estratégias para as ações de marketing, pode ser uma forma de aproveitar esse mercado em potencial.
IA oferece personalização
A tecnologia, especialmente a Inteligência Artificial (IA), já tem sido utilizada para traçar as estratégias de branding, e a perspectiva é de expansão desse uso nos próximos anos. Segundo levantamento da Escola Koru, em 2025, a IA permitirá um nível de personalização nunca antes visto, otimizando as interações com os consumidores.
A automação de conteúdo, apoiada pela IA, já é vista como uma realidade nas estratégias de branding. Marcas utilizam essa tecnologia para gerar textos, imagens e vídeos personalizados, ajustados conforme os interesses do público.
A tendência é que as ferramentas de aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural analisem grandes volumes de dados e possibilitem que as marcas ofereçam experiências únicas e adaptadas a cada perfil, criando campanhas mais segmentadas e interações mais precisas.
Privacidade de dados é diferencial competitivo
Com o aumento das interações digitais, a privacidade e a segurança dos dados dos consumidores também se tornaram aspectos relevantes para o branding. De acordo com as informações da Escola Koru, os consumidores estão mais atentos à forma como seus dados são tratados e exigem maior transparência por parte das empresas.
Sendo assim, marcas que investirem em medidas para a proteção de dados e demonstrarem compromisso com a privacidade terão um diferencial competitivo. Adotar práticas como criptografia avançada, transparência no uso das informações e políticas de consentimento é considerado fundamental para conquistar a confiança dos clientes.
Marketing de influenciadores deve ser mais autêntico
Nos últimos anos, o marketing de influência tem passado por uma mudança de foco. De acordo com a Escola Koru, a tendência é que as marcas deixem de priorizar apenas o alcance e passem a investir em parcerias mais autênticas e duradouras.
Em vez de campanhas pontuais com grandes influenciadores, as empresas devem buscar criadores de conteúdo alinhados a seus valores, capazes de construir conexões genuínas com suas comunidades.
Essa transformação reflete o comportamento do consumidor, que está mais atento à transparência e à coerência das marcas. Parcerias estratégicas e bem estruturadas fortalecem a credibilidade das empresas e geram um engajamento de maior qualidade, tornando a comunicação mais efetiva e relevante.
Storytelling e autenticidade no design também são tendências
Outra tendência apontada pela Koru é o fortalecimento do storytelling como estratégia de branding. As marcas precisarão ir além das campanhas tradicionais e investir em narrativas envolventes, que criem conexões emocionais com o público.
Histórias bem construídas tornam as mensagens mais memoráveis e ajudam a diferenciar as empresas em um mercado competitivo.
No design, a autenticidade e a simplicidade também devem ganhar destaque. O minimalismo continuará sendo tendência, especialmente para marcas de luxo, enquanto a humanização da identidade visual, por meio de ilustrações e mascotes autênticos, será uma estratégia adotada para gerar maior identificação com os consumidores.





