O Brasil registrou 72.476 acidentes nas rodovias federais em 2025. O total representa alta de 14% na comparação com 2020. As mortes cresceram 18,3% no mesmo período. Ao todo, 6.040 pessoas perderam a vida e 83.490 ficaram feridas.
Na média, o país soma 198 ocorrências e 17 mortes por dia nas BRs.
Os dados fazem parte do Guia CNT de Segurança nas Rodovias 2026 e vão na contramão da meta do Pnatrans (Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito), cujo objetivo prevê reduzir pela metade o número de vítimas até 2030.
Para a diretora-executiva da CNT, Fernanda Rezende, o material serve como ferramenta de prevenção. “O Guia, além de trazer informações importantes sobre rodovias de todo o país, pode servir também como um instrumento de proteção à vida.”
Confira rankings das piores rodovias apontadas pela CNT:



Colisão lidera causas de acidentes
A colisão aparece no topo da lista, com 44.755 registros, o equivalente a 61,8% do total. Saída de pista e capotamento surgem na sequência. Atropelamentos concentram parte relevante das mortes.
Entre os fatores mais citados está a ausência de reação do condutor, responsável por 15,8% das ocorrências. No recorte de óbitos, transitar na contramão lidera, com 15,9%. Ultrapassagens em pista simples aparecem entre as situações mais perigosas.
Fernanda Rezende destaca o peso dos números.
“Quando analisamos os dados, vemos que o Brasil ainda registra números muito elevados de acidentes, mortes e feridos nas rodovias federais, como mostram os levantamentos consolidados neste material.”
BR-101 lidera em acidentes e mortes
A BR-101 concentra o maior número de registros no país: 13.006 acidentes e 760 mortes entre janeiro e dezembro de 2025.
O levantamento também aponta problemas estruturais. Em 62,1% da malha analisada há algum tipo de deficiência. Falhas de geometria atingem 62,2% dos trechos. No pavimento, o índice chega a 56,5%. A sinalização apresenta falhas em 49,6%.
Foram identificados 2.146 pontos críticos, como buracos, quedas de barreira e erosões.
Norte tem situação mais grave
A Região Norte lidera em precariedade, com 81,3% da extensão apresentando problemas. No Acre, o índice chega a 97%. No Amazonas, passa de 91%.
No Nordeste, 69,1% da malha também registra deficiência. A região soma 16.013 acidentes e 1.938 mortes no período analisado.
Conceitos mudam foco da segurança
O guia adota princípios como Visão Zero e Sistema Seguro. A proposta parte da ideia de nenhuma morte no trânsito ser aceitável e prevê responsabilidade compartilhada entre governo, usuários e equipes de atendimento.
Principais pontos:
- Visão Zero: nenhuma morte no trânsito deve ser aceita.
- Falibilidade humana: erros fazem parte do comportamento humano.
- Vulnerabilidade física: o corpo tem limite diante de impactos.
- Sistema Seguro: atuação conjunta entre poder público, motoristas e socorro.
- Rodovias que perdoam: infraestrutura com faixas de alerta e defensas para reduzir danos.
“Por isso, a importância deste guia está em transformar informação técnica em orientação prática para o cidadão”, afirma Fernanda Rezende.
Orientações antes de viajar
A CNT orienta planejamento e atenção redobrada. Confira as recomendações:
- Conferir validade da CNH e exames exigidos.
- Checar freios, pneus, luzes e nível de óleo.
- Planejar a rota e prever paradas para descanso.
- Evitar uso de celular ao volante.
- Respeitar limites de velocidade e regras de ultrapassagem.
Ao consultar o material antes da viagem, o motorista pode verificar condições do pavimento, sinalização e geometria da via. A diretora-executiva da CNTreforça o objetivo do trabalho.
“Mais do que um diagnóstico, este é um material de conscientização. Nosso objetivo é contribuir para que cada viagem seja feita com mais planejamento e responsabilidade para que todos possam chegar ao seu destino em segurança”, aponta.





