Como o Brasil Tem o Maior Número de Companhias de Deep Tech da América Latina

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Mike Alves

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Como o Brasil Tem o Maior Número de Companhias de Deep Tech da América Latina

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Historicamente, a economia brasileira sempre foi dependente da exportação de commodities. No entanto esta situação vem mudando nos últimos anos. Embora produtos agrícolas e minerais ainda componham boa parte da economia, o setor tecnológico vem ganhando protagonismo regional.

Atualmente, o país conta com o maior número de companhias de deep tech da América Latina. Deep techs são startups de tecnologia que combinam engenharia e ciência para criar soluções em grande escala. Via de regra, essas empresas focam em soluções para temas globais importantes, como saúde, meio ambiente e energia. Entenda como essas empresas vieram parar aqui e porque elas são tão relevantes no cenário nacional.

Sociedade Digitalizada

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Não é de hoje que o Brasil se destaca no continente quando o assunto é tecnologia. O país já possui o maior número de fintechs da América Latina, além de contar com o maior número de startups. A média de smartphones por aqui supera a de um aparelho por habitante e quase 90% da população tem acesso à internet.

Logo, o país possui um enorme mercado em potencial para produtos tecnológicos, seja cassinos que oferecem bônus sem depósito, ou a última novidade da Indústria 5.0. Porém, existem diferenças cruciais que separam as deep techs das demais startups. As startups convencionais geralmente se concentram em criar softwares, enquanto as deep techs se baseiam em inovações científicas e tecnológicas, como: computação quântica e inteligência artificial avançada.

Mergulhando Fundo na Tecnologia

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O grau de complexidade e risco tecnológico envolvidos no processo levam as deep techs a terem um ciclo de amadurecimento mais longo. Isso porque as etapas de pesquisa, desenvolvimento e testagem são muito longas e intensas. Pelos mesmos motivos, elas também requerem mais investimentos.

Estes investimentos costumam ter altos riscos e altos ganhos também. São arriscados porque seu sucesso depende de avanços científicos que podem muito bem não se concretizar. A interdisciplinaridade caracteriza essas empresas, onde especialistas em física, biologia, engenharia e ciência da computação colaboram.

De um modo geral essas startups focam em setores como nanotecnologia, biotecnologia, robótica, além de IA e computação quântica. Atualmente, o Brasil abriga cerca de 900 empresas do tipo. Neste contexto a parceria com universidades públicas e grandes empresas do ramo de tecnologia tem feito toda a diferença.

Interesse Público

O papel de liderança regional do Brasil em startups de deep tech não é mera coincidência. O contato com universidades públicas de excelência, como UFRJ e USP, contribuem o aporte científico necessário para a coisa dar certo. O governo não só investe em universidades, mas também em programas de investimento. Instituições como Embrapii, FINEP e FAPESP garantem um apoio crucial às startups brasileiras no financiamento de pesquisas.

O Governo Federal (e o BNDES também) têm investido pesado na aceleração do setor. Para este ano o Governo Federal previu a criação de um fundo de investimentos de R$10 bilhões para deep techs da área de saúde. Já no ramo de inteligência artificial, os investimentos podem passar dos R$20 bilhões nos próximos três anos. Enquanto isso, instituições como o Inmetro marcam presença em eventos de inovação tecnológica.

Desafios Profundos, Altas Oportunidades

Apesar do ambiente otimista e próspero, alguns desafios significativos ainda persistem no setor. Ele requer investimentos continuados, já que os primeiros resultados podem demorar até cinco anos para aparecer. A fase de protótipos e testes é a mais longa e costuma também ser a mais cara, exigindo um alto grau de refinamento.

As deep techs trabalham com conceitos tecnológicos tão avançados, que a maioria das gestoras de capital de risco locais mal sabem o que eles estão fazendo. Por falta de conhecimento especializado, estas gestoras resistem, em muitos casos, a investir em deep techs. Gestoras internacionais também tendem a torcer o nariz para empresas da região, temendo riscos como reviravoltas regulatórias e questões de propriedade intelectual.  

No entanto muitas delas também se esquecem de que os ganhos possíveis são enormes. Inovações que podem alavancar a produção do agronegócio, como biotecnologia e inteligência artificial, são capazes de criar verdadeiros impérios.

A competição para desenvolver veículos autônomos que sejam seguros e carros elétricos que sejam acessíveis também promete prêmios consideráveis para aqueles que chegarem à frente. Ainda mais, elas podem gerar soluções para desafios globais, incluindo climatologia, transição energética, saúde e segurança cibernética.

Na Fronteira da Inovação

A liderança brasileira no cenário latino americano mostra que o país está no rumo certo para a transição tecnológica. Ao aliar sua força inata nas commodities com um mercado digital vibrante, o país começa a semear um futuro de inovações científicas de alto impacto. Apesar da dificuldade persistente com investimentos privados, o Brasil conseguiu criar um ecossistema fértil, unindo universidades, empresas e investimentos públicos. 

Sem dúvida, a aposta no binômio “ciência e empreendedorismo” tem tudo para render bons frutos. Além de diversificar a economia local e reduzir a dependência de empresas estrangeiras, o Brasil se coloca na vanguarda da resolução de grandes problemas globais, das mudanças climáticas ao agronegócio; da saúde à soberania digital.

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