No começo do ano, acreditava-se que um asteroide tinha 3% de chance de atingir a Terra em 2032. Novos cálculos afastaram esse risco, mas mostraram outra preocupação: 4% de probabilidade de colisão com a Lua em dezembro daquele ano.
Agora, um estudo da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, e de outros cientistas, publicado neste mês de setembro, propõe duas opções em relação ao asteroide, denominado 2024 YR4: desviá-lo ou destruí-lo.
Um impacto na Lua não colocaria diretamente a vida humana em risco, já que não há previsão de presença permanente por lá até 2032. O problema, na verdade, seriam os efeitos indiretos.
A colisão levantaria uma nuvem de poeira e rochas lunares, aumentando em até 1.000 vezes a quantidade de micrometeoroides que orbitam a Terra por alguns dias. Isso poderia ameaçar satélites, astronautas em estações espaciais e operações em órbita.
Dificuldade para desviar
A deflexão (mudança de trajetória) é considerada a solução ideal. Mas há uma limitação: a massa do asteroide ainda é incerta. Ele tem cerca de 60 metros de diâmetro, mas pode pesar entre 51 milhões e 711 milhões de quilos. Essa diferença dificulta calcular a força necessária para desviá-lo.
Se o cálculo for errado, o empurrão pode falhar ou até redirecionar o objeto em direção à Terra. Por isso, missões de reconhecimento seriam necessárias, mas a janela ideal para isso seria até 2028 — um prazo curto para desenvolver e lançar novas sondas.
A opção da destruição
Com as incertezas sobre o desvio, os cientistas analisam alternativas mais radicais: destruir o 2024 YR4.
Uma possibilidade seria um impacto cinético, semelhante ao que a missão DART fez em 2022 ao alterar a órbita do asteroide Dimorphos. Mas, neste caso, a ideia seria fragmentar o 2024 YR4 em pedaços menores, com menos de 10 metros.
A outra estratégia é a mais polêmica: usar uma explosão nuclear. O estudo calcula que uma bomba de 1 megaton detonada perto da superfície seria suficiente para interromper a ameaça, independentemente da massa do asteroide.
Decisão até 2028
A Nasa e outras agências ainda não definiram nenhuma missão. A decisão deve ser tomada até o fim da década, já que a janela de lançamento para esse tipo de operação vai de 2029 a 2032.
Os cientistas lembram que as chances de colisão continuam baixas — 96% de probabilidade de o asteroide passar sem atingir a Lua. Mas enfatizam que o episódio é uma oportunidade para avançar nas pesquisas de defesa planetária e preparar respostas rápidas caso surjam ameaças mais sérias no futuro.





