A Creden (Comissão de Relações Exteriores) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (9), um requerimento de convocação ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, sobre a “postura” do governo brasileiro diante da condenação por corrupção da ex-presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner.
“A convocação do ministro é medida legítima, necessária e inadiável para proteger a coerência da política externa brasileira, os valores democráticos da República e o prestígio da diplomacia nacional”, alega o autor do requerimento, deputado federal André Fernandes (PL-CE).
O documento cita, por exemplo, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Kirchner na semana passada, na prisão domiciliar.
“Durante a visita, Lula manifestou apoio explícito à ex-mandatária, instando-a a ‘manter sua luta por justiça’ e afirmando ‘saber o que é ser vítima de perseguição judicial’”, alega Fernandes.
Conforme o parlamentar, a declaração “ignora” a legitimidade do processo judicial conduzido pelas instituições argentinas, “relativiza” a gravidade dos crimes pelos quais Kirchner foi condenada e contribui para desinformar a opinião pública sobre os fatos.
“Trata-se de um gesto político e ideológico que não apenas enfraquece o combate à corrupção em âmbito regional, como compromete a credibilidade institucional do Brasil na esfera global. A própria Cristina divulgou posteriormente que o gesto de Lula foi ‘um ato político de solidariedade’, o que só confirma o caráter extra institucional e ideológico do encontro”, prosseguiu o deputado.
Fora da agenda diplomática
O parlamentar destacou ainda que a visita “não integrou a agenda diplomática oficial do Brasil”. Além disso, menciona que, ao lado de Lula, Vieira visitou o ativista Adolfo Pérez Esquivel.
Na ocasião, os dois posaram com uma placa que dizia “Cristina livre” e “Lula livre”.
“O gesto, simbólica e politicamente carregado, revela alinhamento ideológico explícito com a narrativa revisionista da esquerda latino-americana e evidencia o uso da diplomacia brasileira para fins de propaganda pessoal e partidária”, sustentou Fernandes.
Por fim, o deputado alega que o chanceler “comprometeu a neutralidade e a credibilidade internacional da política externa brasileira”, vinculando o Itamaraty a “uma narrativa que relativiza o combate à corrupção e deslegitima sentenças proferidas por cortes soberanas”.





