Nos últimos anos, o número de brasileiros que formalizam residência no Paraguai tem registrado crescimento expressivo, transformando o país vizinho em um destino importante para quem busca novas oportunidades no exterior.
Dados oficiais mostram aumento de pedidos de residência
Segundo a Direção Nacional de Migrações do Paraguai (DNM), entre janeiro e outubro de 2025 foram apresentados 38.236 pedidos de residência por estrangeiros, número que supera o total de pedidos em 2024 e representa um aumento de 31,3 % em relação ao ano anterior.
Dentre esses pedidos, 22.136 foram feitos por brasileiros, o que equivale a 57,9 % do total de aplicações no país no período.
Quem são os brasileiros que vão ao Paraguai?
Os dados indicam que os brasileiros interessados em residir no Paraguai não se limitam a um único perfil:
- Muitos buscam oportunidades de estudo, especialmente em cursos como Medicina e outras formações universitárias, onde as vagas e custos são considerados mais acessíveis em cidades como Ciudad del Este e Assunção.
- Investidores e empreendedores são atraídos pelas condições fiscais do Paraguai, que tem um imposto de renda pessoal de 10 %, ambiente de negócios com menos burocracia e custos operacionais mais baixos em comparação ao Brasil.
- Há também brasileiros que se reúnem a familiares que já residem no país ou que aproveitam oportunidades de trabalho em setores como agricultura, comércio e serviços.
Crescimento da comunidade brasileira
Dados oficiais do Itamaraty registrados em 2022 mostram que cerca de 254 mil brasileiros já viviam no Paraguai, sendo esse um dos principais países da América do Sul com população significativa de brasileiros fora do Brasil.
Outros levantamentos com projeções mais recentes apontam que essa comunidade pode já ultrapassar 263 mil brasileiros residentes no país vizinho, conforme dados de fontes oficiais e registros consulares que vêm sendo compilados.
Motivações econômicas e sociais
Especialistas em migração apontam que o principal motor desse movimento é econômico e social, incluindo:
- Carga tributária e custos de vida mais baixos no Paraguai.
- Processos de migração relativamente mais simples.
- Atração por oportunidades empresariais e de estudo.
Além das facilidades migratórias, o desempenho econômico do Paraguai tem sido um dos principais atrativos para brasileiros, segundo dados de organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e o Banco Central do Paraguai.
Nos últimos anos, o Paraguai vem registrando crescimento econômico consistente, com inflação controlada, baixo nível de endividamento público e ambiente favorável aos negócios. O país mantém uma das menores cargas tributárias da América do Sul, com imposto de renda pessoal e corporativo fixado em 10%, o que favorece investidores, empreendedores e trabalhadores autônomos.
Outro fator relevante é a estabilidade macroeconômica. Diferentemente do Brasil, que enfrenta oscilações frequentes na inflação, juros elevados e aumento do custo de vida, o Paraguai tem conseguido manter taxas de juros mais previsíveis, moeda relativamente estável e crescimento acima da média regional em diversos períodos recentes.
Dados do Banco Mundial indicam que o Paraguai apresenta baixo déficit fiscal e uma das menores dívidas públicas em relação ao PIB na América Latina, o que amplia a confiança de investidores estrangeiros e reduz riscos econômicos de longo prazo.
O custo de vida mais baixo, especialmente em áreas como moradia, alimentação, energia elétrica e combustíveis, também pesa na decisão de brasileiros que buscam maior poder de compra e qualidade de vida. A energia barata, impulsionada pela Usina de Itaipu, é apontada como um diferencial estratégico para o setor produtivo.
Especialistas ressaltam que, embora o Paraguai tenha desafios estruturais, o cenário econômico atual é considerado mais previsível e menos burocrático que o brasileiro, o que ajuda a explicar o aumento contínuo de brasileiros que escolhem o país como destino para morar, investir ou empreender.
Contexto regional
A migração entre países do Mercosul não é algo novo: desde a década de 1990, acordos e facilidades dentro do bloco facilitaram o trânsito e a residência de cidadãos entre Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, contribuindo para movimentos migratórios principalmente nas regiões de fronteira.
O aumento de brasileiros pedindo residência no Paraguai é um fenômeno real, mensurável e baseado em dados oficiais, impulsionado por fatores econômicos, educacionais e de qualidade de vida.





