BNDES projeta crescimento de 20% nos investimentos em infraestrutura até 2018

crise econômica pode trazer oportunidades de investimento, avalia especialista

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresenta pelo décimo ano consecutivo sua pesquisa sobre perspectivas do investimento para a economia brasileira. Os dados foram atualizados em julho de 2015 e consolidados pela Área de Pesquisa e Acompanhamento Econômico (APE) do Banco.

O levantamento cobre o período 2015-2018. Na infraestrutura, com R$ 578,9 bilhões, ocorreu aumento de 19,9% nos investimentos previstos, o que corresponde a uma taxa de expansão de 3,7% ao ano.

Os investimentos totais mapeados pelo BNDES, considerando os setores da Indústria e da Infraestrutura, somam R$ 1,19 trilhão, com queda real de 1,58% em relação aos investimentos efetivamente realizados entre 2010 e 2013.

Na indústria, isoladamente, a expectativa de investimentos, no montante de R$ 612,3 bilhões, apresenta queda de 3,4% ao ano, ou retração de 15,8% no acumulado do período.

Dos 20 setores da pesquisa em que a comparação é possível, 11 apresentam variação positiva entre os quadriênios, com média de crescimento de 45%, ao passo que nos 9 setores onde ocorre decréscimo, a média de declínio é de 24%. O estudo atualizado já capta as projeções do plano de investimentos da Petrobras, anunciado neste mês de julho.

Praticamente todos os setores de Infraestrutura apresentam aumento na perspectiva de investimentos, com destaque para Mobilidade Urbana, com R$ 49,7 bilhões (variação positiva de 300% no período, ou alta de 32% ao ano). Em seguida, estão os setores de Logística, com Ferrovias (mais 39,5%), Portos (mais 37%) e Aeroportos (mais 28%). Em Telecomunicações, a alta prevista é de 21%.

O mapeamento feito pela APE abrange projetos e planos de investimento das empresas, incluindo aqueles apoiados, mas também os não apoiados pelo BNDES. Ou seja: a pesquisa não é uma indicação de quanto poderá ser financiado pelo BNDES nos próximos anos. O levantamento também tem apresentado um alto índice de acerto, da ordem de 90%, em relação aos investimentos projetados e aqueles efetivamente realizados.

Nos dez anos de publicação das projeções de investimento, a cobertura de setores foi progressivamente ampliada, sendo que as últimas inclusões foram as dos segmentos de Alimentos, Bebidas e Resíduos Sólidos Urbanos, embora o histórico dos investimentos deste último setor ainda não esteja completo.

É importante ressaltar que os resultados apresentados nesta pesquisa incorporam a atual conjuntura da economia brasileira. A retração das expectativas empresariais acentuou-se em 2015, sendo influenciada especialmente por questões relacionadas à Petrobras, com reflexo em toda a cadeia de óleo e gás, a mais importante do levantamento.

Além disso, o ajuste econômico em curso também influencia de forma relevante as projeções para os investimentos nos diversos setores da economia. Diante da atual conjuntura, a readequação das expectativas dos investimentos já era esperada.
Ainda assim, um dos destaques deste levantamento está na qualidade dos investimentos, com o avanço de áreas intensivas em tecnologia, envolvendo: fabricação de estruturas aeronáuticas, exploração de novas rotas de produção química, investimentos em telecomunicações 4G, diversificação da matriz energética e implantação de melhorias fundamentais para o transporte urbano.

Infraestrutura – Em Infraestrutura, o impacto da retração da economia e dos ajustes de política econômica praticamente não se fez notar. Tal comportamento reflete o grande espaço a ser ocupado na trajetória de construção, modernização e integração da logística nacional, a prioridade dada ao setor de infraestrutura pelo governo Federal, com o Programa de Investimento em Logística (PIL) e o Programa de Mobilidade Urbana no contexto do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC).

Já o setor de Energia Elétrica, com R$ 210,4 bilhões em perspectiva de investimento (alta de 7,2% na comparação entre os quadriênios), mantém o maior nível de investimentos projetados da infraestrutura, refletindo sua importância estratégica para a segurança energética e a diversificação da matriz energética.

Indústria – Dos 12 setores industriais considerados pela pesquisa, quatro apresentaram aumento em relação ao quadriênio 2010-13: Papel e Celulose, Eletrônicos, Complexo Industrial da Saúde e Aeroespacial/Defesa. Nos demais, a variação mostra graus diferenciados de retração em relação ao quadriênio anterior.

O setor de Petróleo e Gás, que apresentava acentuado crescimento até recentemente, ainda está se ajustando à nova realidade da Petrobras, com reflexos em toda a cadeia produtiva. A perspectiva do investimento para este setor é de R$ 323,4 bilhões em 2015-2018, com queda de 12,2% no acumulado do período ou de 2,6% ao ano na comparação com 2010-2013.
Siderurgia e Mineração apresentam diminuição no volume de investimentos domésticos, acompanhando tendência global, em especial no setor siderúrgico. Outro setor com retração é o Sucroenergético, cujos investimentos se concentram na manutenção da capacidade produtiva.