Blefaroplastia: a cirurgia que devolve expressão e campo de visão – tudo o que você precisa saber antes de encarar o bisturi (ou o plasma)

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Vanessa Chabatura

Blefaroplastia: a cirurgia que devolve expressão e campo de visão – tudo o que você precisa saber antes de encarar o bisturi (ou o plasma)

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Nos últimos anos a blefaroplastia saiu do nicho dos tratamentos estéticos “de vaidade” e entrou no rol das grandes cirurgias de saúde ocular e facial. O ranking da ISAPS 2023, entidade que audita procedimentos em 150 países, coloca a correção das pálpebras no terceiro lugar mundial, somando mais de 1,7 milhão de operações concluídas em um único ano e registrando crescimento de quase 20% sobre 2022.

O dado impressiona porque, diferentemente de lipoaspiração ou rinoplastia, a blefaroplastia mexe em milímetros de pele e gordura, mas altera – para melhor – a forma como o rosto inteiro é percebido.

No consultório da oftalmologista especialista blefaroplastia, Dra. Camilla Duarte, em Perdizes, São Paulo, os números acompanham a tendência global: “Só em 2024 operei mais de 80 pacientes, entre 28 e 78 anos. Metade chegou porque as pálpebras já invadiam o campo de visão; a outra metade buscava resultado estético depois de tentar cremes, laser e toxina botulínica sem sucesso”, conta.

Anatomia e o “defeito progressivo”

A pele palpebral é a mais fina do corpo e, portanto, a primeira a denunciar o tempo. Paralelamente, há a frouxidão de um tecido fibroso chamado septo orbital, que deveria conter a gordura dentro da órbita.

“Quando esse septo afrouxa, a gordura prolapsa, forma as bolsas e empurra a pálpebra para frente. Some a isso o afinamento do músculo orbicular, que perde tônus, e você tem a tempestade perfeita para o olhar cansado”, explica a cirurgiã palpebral.

As consequências vão além do espelho. Estudos compilados em revisão acadêmica brasileira apontam que o excesso cutâneo pode reduzir até 25% do campo visual superior, obrigando o indivíduo a erguer o supercílio para ler, dirigir ou até mesmo segurar o celular. ​

Nessa luta diária contra a anatomia, não surpreende que muitas queixas sejam funcionais: peso sobre os cílios, cefaleia tensional e irritação ocular por lubrificação deficiente. “É uma cirurgia que concilia estética e saúde. Quando tiro dois ou três milímetros de pele e reposiciono a gordura, o paciente ganha visão, conforto e autoestima, tudo de uma vez”, resume Camilla Duarte.

Convencional x Sem Cortes: o cardápio cirúrgico

Quando o excesso cutâneo é visível e as bolsas são volumosas, a blefaroplastia tradicional continua soberana. No procedimento superior o corte acompanha a prega natural, cerca de oito milímetros acima dos cílios; no inferior transcutâneo, a incisão corre dois milímetros abaixo da margem ciliar.

Já na via transconjuntival – acesso interno pela mucosa – a cicatriz fica invisível e indicada a quem tem pouca elasticidade de pele, porém bolsas marcantes, geralmente homens e mulheres entre 40 e 50 anos.

“Essa técnica fez a alegria de executivos que voltam ao escritório em seis dias sem um ponto aparente”, relata a oftalmologista.

Para flacidez leve ou manutenção de cirurgias antigas, o jato de plasma – ou blefaroplastia sem cortes – dispara um microarco elétrico que sublima pontos microscópicos da epiderme ocasionando retração da pele.

“Gosto de dizer que, se a cirurgia é um reset completo, o plasma é um ‘update’ que dura dezoito a vinte e quatro meses”, compara a especialista cirurgia da pálpebra. O método exige fotoproteção ferrenha por três meses, mas não precisa de internação nem anestesia infiltrativa; uma pomada anestésica basta.

A voz da experiência: escolha individualizada

A reportagem acompanhou a consulta de Juliana M., 43 anos, gerente de projetos que se incomoda com bolsas inferiores desde os 30. “Sempre me maquiei bem, mas a bolsa não saia na foto. Trabalhando por videoconferência, a tela fazia aquilo parecer ainda maior”, conta Juliana.

Após exame na lâmpada de fenda, teste de filme lacrimal e fotos de frente e perfil, a especialista sugeriu a blefaroplastia inferior transconjuntival. “A pele dela é firme; se eu cortar por fora, deixo uma cicatriz sem necessidade”, explica. O procedimento deve acontecer em julho, com alta no mesmo dia.

Casos como o de Juliana ilustram o mantra da médica: menos é mais. “Quanto mais personalizada a indicação, menor o risco e mais natural o resultado. Nem todo mundo precisa de corte externo, nem todo mundo se satisfaz com plasma”, afirma.

Benefícios que vão além do espelho

Os argumentos a favor são convincentes: melhora do campo visual, redução do peso e do esforço para manter os olhos abertos, menos dor de cabeça por tensão fronto‑orbital e uma elevação comprovada de autoestima.

Um estudo brasileiro de 2012 mediu a escala de Rosenberg antes e seis meses depois da cirurgia em 40 pacientes; a pontuação média subiu em dois pontos, salto estatisticamente significativo.

“Parece pouco, mas na prática significa a pessoa aceitar fotos, participar mais ativamente de reuniões e até se sentir mais à vontade com novas oportunidades profissionais”, contextualiza a Dra. Camilla. ​

Do ponto de vista funcional, a perimetria visual computadorizada, exame que mapeia o campo de visão, mostra ganho de 15 a 25 graus na porção superior logo após a alta médica. Para quem dirige à noite, o alívio é imediato: “Pacientes relatam não precisar erguer a testa nem apertar os olhos contra o farol oposto”, diz a especialista.

Como é a recuperação na vida real?

“Pós‑operatório de pálpebra é rápido, mas não dá para negar que o rosto chama atenção no espelho”, brinca a cirurgiã palpebral. Nos três primeiros dias o inchaço é maior; a pomada antibiótica turva a visão e a recomendação é compressa fria de dez minutos a cada duas horas, além de dormir com travesseiro extra. No terceiro dia metade do edema cede, e o paciente pode tomar banho completo sem medo.

Pontos externos, quando existem, saem no sétimo dia. Trabalho online, segundo a médica, costuma ser retomado em 72 horas; contato social, em sete a dez dias. Atividade física leve volta após quinze; musculação e esportes de alto impacto, só depois de um mês. “No terceiro mês fazemos a foto oficial antes‑depois, quando 80 % do resultado está consolidado e a cicatriz praticamente desapareceu”, descreve.

Valor, cobertura e transparência

O valor final varia conforme hospital, anestesista e honorários médicos. Em São Paulo, uma blefaroplastia superior parte de R$ 10.000,00. Convênios de saúde podem reembolsar parte ou total do custo quando há comprovação de deficiência visual – campo visual superior menor que 20 graus, por exemplo. “Forneço laudo e exames para quem quer entrar com pedido. Alguns planos exigem perito próprio, outros liberam só o hospital”, esclarece a especialista.

Contraindicações e o cuidado que antecede o corte

Diabetes descompensada, hipertensão sem controle, distúrbios graves de coagulação, olho seco severo e doenças autoimunes ativas exigem estabilização antes da cirurgia. “Quase sempre conseguimos equilibrar essas condições e liberar o paciente, mas segurança vem em primeiro lugar”, reforça a Dra. Camilla.

Futuro e tendências: inteligência artificial na avaliação

Enquanto o bisturi segue imbatível para eliminar pele e gordura, a tecnologia começa a atuar no planejamento. Softwares de análise tridimensional calculam milimetricamente o volume a ser removido; algoritmos de machine‑learning sugerem, a partir de milhares de fotos, a projeção de resultado provável.

A médica vê com bons olhos: “Quanto mais objetividade no planejamento, menor a chance de surpresa. Mas a decisão final ainda é humana, baseada em anatomia e em conversa olho no olho”.

Vale a pena? O veredito final

“É uma plástica que dá resultado prático. Quando o paciente volta sorrindo porque enxerga melhor e ainda se sente rejuvenescido, entendo por que a cirurgia cresce tanto”, conclui a oftalmologista particular.

Para quem carrega bolsões de gordura hereditários ou convive com pálpebras caídas que atrapalham o dia a dia, a mensagem que fica é direta: informação de qualidade, avaliação personalizada e mãos experientes transformam milímetros de pele em quilômetros de autoconfiança – e um olhar novo para o mundo.

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