Após vizinha morrer de câncer, mulher assume filho com deficiência física

temer concede reajuste de 12,5% no bolsa família

Arlinda da Silva é uma lavradora que vive com o marido, três filhas e a neta em um povoado no município de Pedrão, localizado a cerca de 100 km de Salvador. Há cinco meses, ela viu sua vida se transformar após "herdar" o filho da vizinha depois que a mulher morreu vítima de câncer. Dona Arlinda contou que a mãe de Rafael Guerra Silva, 24 anos, pediu para ela tomar conta do filho, já que ele também não tem pai.

— Ele ficou sem ninguém, eu não poderia deixar ele dentro de uma casa sem ter ninguém para cuidar.

Rafael tem deficiência física, ele é paraplégico e não consegue nem ficar sentado. Sem cadeira de rodas adequada para seu problema de saúde, o jovem é carregado em um carrinho de mão pela vizinha.

Dona Arlinda vive com o que ganha na lavoura e o Bolsa Família. As filhas, apesar de já serem adultas, estão desempregadas. Os problemas financeiros pioraram com a chegada de Rafael, que precisa usar fraldas descartáveis e atendimento médico. O benefício do jovem foi cortado desde que a mãe morreu, já que estava no nome da mulher.

Apesar das dificuldades, dona Arlinda vê a chegada de Rafael na família como um presente.

— Meu filho, mandado por Deus.

Rafael tem um irmão de 16 anos, que é usuário de drogas. Logo após a morte da mãe dos garotos, dona Arlinda também abrigou o adolescente, mas o rapaz agrediu dois sobrinhos da mulher com garrafadas e fugiu. Apesar disso, mesmo com a família a culpando pela agressão, já que tinha abrigado um usuário de drogas, dona Arlinda não abre mão de cuidar de Rafael.