A nota divulgada pelo Sport Sinop após a partida contra o Luverdense Esporte Clube, pela semifinal do Campeonato Mato-Grossense, trouxe à tona não apenas um episódio de confusão nas arquibancadas, mas também a história de luta pessoal do volante Fransérgio, rondonopolitano que há anos trava uma batalha diária ao lado do filho diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O caso ocorreu no Estádio Gigante do Norte, em Sinop (MT). Segundo o clube, o filho do atleta estava nas arquibancadas com a mãe e familiares quando teria sido empurrado por uma torcedora durante um desentendimento por espaço. A situação evoluiu para discussão e, ainda no primeiro tempo, a informação chegou ao jogador.
No intervalo e após o apito final, Fransérgio foi ao alambrado buscar esclarecimentos, demonstrando indignação. O clube ponderou que o ambiente esportivo exige equilíbrio, mas reconheceu o contexto emocional da situação.
Mais que atleta, um pai presente
A reação do volante só pode ser compreendida à luz de uma trajetória marcada por decisões difíceis. Fransérgio construiu carreira sólida no Brasil e no exterior, com passagens por Criciúma Esporte Clube, Sport Club Internacional, Coritiba Foot Ball Club e Ceará Sporting Club. Na Europa, defendeu o CS Marítimo, o Sporting Clube de Braga e o FC Girondins de Bordeaux.
Foi justamente no período em que atuava pelo Marítimo, em Portugal, que revelou publicamente o diagnóstico do filho. Em entrevista emocionada, o atleta explicou a decisão de interromper a carreira internacional para retornar ao Brasil e ficar mais próximo da criança, acompanhando de perto o tratamento e o desenvolvimento.
A escolha representou abrir mão de estabilidade e projeção no futebol europeu para assumir, integralmente, o papel de pai presente.
Relato do jogador
Conforme citado na nota do Sport Sinop, Fransérgio afirmou que o desentendimento começou quando seu filho, que já estava sentado, teria sido empurrado nas pernas. Ao ser informada de que se tratava de uma criança autista, a torcedora teria reagido de forma desrespeitosa. O atleta relatou ainda que sua esposa foi contida fisicamente ao tentar intervir, ficando com marcas no braço.
Ele negou qualquer agressão generalizada ou tentativa de incitar conflito com a torcida, sustentando que sua reação foi direcionada exclusivamente à defesa da família.
Solidariedade e apuração
Na nota oficial, o Sport Sinop prestou solidariedade ao atleta e reforçou o compromisso com o respeito e a inclusão nos estádios.
“Acreditamos que o futebol deve ser ambiente de união, emoção e convivência familiar, jamais espaço para qualquer forma de violência, sobretudo contra crianças”, destacou a diretoria.
O clube afirmou confiar na apuração dos fatos e na preservação da verdade.
Dentro de campo
Em campo, o Sport Sinop acabou derrotado por 1 a 0 pelo Luverdense. O jogo de volta da semifinal está marcado para o próximo domingo (22), no estádio Estádio Passo das Emas, em Lucas do Rio Verde.
Para além do resultado, a partida ficará marcada por expor o lado mais humano do futebol: o de um jogador que, antes de profissional, é pai — e que já provou, ao longo da carreira, que sua maior prioridade sempre foi o filho.





